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Crédito oficial na safra 25/26 deve reduzir de 30% para 20%

Com o aumento dos custos e a escassez de recursos, a Aprosoja Brasil alerta que os produtores terão que recorrer a juros livres, o que pode resultar em alimentos mais caros

Crédito oficial na safra 25/26 deve reduzir de 30% para 20%
Foto do autor Francieli Galo
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A Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos produtores de soja) publicou uma nota oficial destacando os desafios que o setor agrícola enfrentará na Safra 2025/2026, diante da elevação das taxas de juros e da escassez de recursos destinados ao financiamento agrícola. De acordo com a entidade, a participação do crédito oficial, que historicamente girava em torno de 30% no financiamento da safra, deverá cair para cerca de 20% neste ano.

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A nota oficial aponta que o país vive um momento de elevada taxa de juros, atualmente em 14,25%, e que deve alcançar 15,25% até o final do ano.

Isso significa que o custo do crédito será o mais alto dos últimos 10 anos, o que tem implicações diretas sobre o setor agrícola. Com o orçamento do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2025/2026 mantendo os valores de recursos de igual montante ao ano anterior, a associação alerta que isso não será suficiente para cobrir as necessidades da próxima safra.

Segundo a associação, o aumento nos custos de produção, em especial o dólar alto, e a expectativa de ampliação da área plantada exigem mais recursos para o financiamento da safra, mas o orçamento disponível é aquém das necessidades. Como resultado, o volume de empréstimos tende a cair, desestimulando a produção agropecuária e agravando a pressão inflacionária no país.

Além disso, a Aprosoja Brasil enfatiza que o aumento do custo do dinheiro e a redução dos recursos destinados ao crédito rural e ao Seguro Rural trarão sérias consequências para a produção de alimentos no Brasil. O financiamento da safra deverá ser realizado principalmente por meio de recursos de juros livres, como a emissão de Cédulas do Produtor Rural (CPR), o que elevará o custo das operações e poderá aumentar a inadimplência no setor.

A falta de crédito e o aumento das taxas de juros são fatores que pressionarão ainda mais os preços dos alimentos, dificultando a produção e o acesso dos consumidores aos produtos agropecuários. A diminuição da participação do crédito oficial no financiamento da safra, somada à escassez de recursos para o seguro rural, agravará a situação, reduzindo a cobertura do seguro para a próxima safra.

A nota oficial também faz referência aos desafios macroeconômicos que o Brasil enfrenta, como a pressão inflacionária e o possível risco de recessão no segundo semestre de 2025. A entidade destaca que o governo tem adotado medidas para estimular o PIB, como a liberação de empréstimos consignados e a isenção de impostos, mas alertou que essas medidas podem ter um efeito inflacionário, sem o devido crescimento econômico sustentável.

Para enfrentar esse cenário, a associação sugeriu que o Congresso Nacional aprove um Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) com recursos suplementares para o financiamento da safra. A organização propôs o aumento de R$10 bilhões no orçamento, incluindo R$5 bilhões para o custeio, R$4 bilhões para o seguro rural e R$6,5 bilhões para os investimentos, a fim de garantir a sustentabilidade da produção agropecuária brasileira.

Segundo a Aprosoja Brasil, o setor agrícola tem um impacto significativo na economia do país, com o Valor Bruto da Produção Agropecuária superando R$1,4 trilhões. Dessa forma, é essencial que o governo federal adote medidas mais robustas para garantir um Plano Safra que atenda adequadamente às necessidades do setor, evitando que a escassez de crédito e o aumento dos custos resultem em uma diminuição da oferta de alimentos e no aumento dos preços.

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