Segundo boletim divulgado pela Granoeste Corretora nesta terça-feira (17), o mercado do milho voltou a registrar pressão nas negociações após uma recuperação pontual observada na sessão anterior da Bolsa de Chicago (CBOT). Durante a manhã, o contrato julho era negociado a US$ 4,14 por bushel, com recuo de dois pontos.
Na segunda-feira, os contratos encerraram o pregão com ganhos entre um e três centavos, revertendo momentaneamente a sequência de perdas. Ainda assim, o cenário segue desafiador. Conforme destaca a Granoeste, os preços acumulam queda próxima de 15% nos últimos 45 dias e atingem os menores níveis desde agosto do ano passado.
A pressão continua sendo atribuída principalmente ao bom desenvolvimento das lavouras norte-americanas e aos reflexos do acordo entre Estados Unidos e Irã, que contribuiu para a queda dos preços do petróleo e ampliou o sentimento de oferta confortável no mercado internacional.
Dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que 68% das lavouras de milho do país estão classificadas entre boas e excelentes, enquanto 26% são consideradas regulares e apenas 6% estão em condições ruins ou muito ruins. O resultado representa melhora de um ponto percentual em relação à semana anterior.
No mesmo período do ano passado, os índices eram de 72% para boas ou excelentes, 23% para regulares e 5% para ruins ou muito ruins.
Safrinha avança no Brasil, mas mercado permanece lento
No mercado brasileiro, a colheita da segunda safra começa a ganhar ritmo. Levantamento da consultoria Safras indica que os trabalhos no Centro-Sul alcançaram 2,5% da área cultivada, ligeiramente acima dos 2,2% registrados no mesmo período do ano passado. Apesar disso, o índice ainda permanece abaixo da média histórica de 3,4%.
Segundo a Granoeste Corretora, a comercialização continua lenta. As indicações de compra vêm recuando nas últimas semanas, mas os produtores seguem firmes em suas pedidas, limitando o avanço dos negócios.
Outro fator observado pelo mercado é o enfraquecimento dos preços internacionais, que tem ampliado a distância entre os valores praticados internamente e aqueles observados no mercado externo. A expectativa é que, diante da necessidade de exportação da safra brasileira, os preços caminhem gradualmente para níveis de maior paridade, embora esse movimento possa variar de acordo com cada região produtora.
No Oeste do Paraná, as indicações de compra variam entre R$ 58,00 e R$ 60,00 por saca. Em Paranaguá, os preços para o milho safrinha estão na faixa de R$ 62,00 a R$ 65,00 por saca, dependendo das condições de pagamento e da localização dos lotes.
Na Bolsa Brasileira (B3), o contrato julho era negociado a R$ 63,80 por saca, abaixo do fechamento anterior de R$ 64,35. Já o vencimento setembro operava em R$ 66,75, praticamente estável em relação ao pregão anterior.
O mercado também acompanha o comportamento do câmbio. Nesta terça-feira, o dólar operava em queda, próximo de R$ 5,05, após encerrar a sessão anterior cotado a R$ 5,061.