O Programa Caminho Verde Brasil, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foi um dos destaques do Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP), realizado em Campo Grande (MS). A iniciativa foi apresentada durante o painel "A nova revolução do agro: mais produção e desmatamento zero", que reuniu especialistas, autoridades e representantes do setor para debater caminhos para ampliar a produção agropecuária com sustentabilidade ambiental.
O evento promoveu discussões sobre segurança alimentar, produção sustentável e oportunidades para o agronegócio brasileiro no cenário internacional. Participaram lideranças do setor produtivo, especialistas e representantes de 16 países, além da União Europeia.
Representando o Mapa, o assessor especial do ministro e coordenador do Programa Caminho Verde Brasil, Pedro Cunto, destacou as ações voltadas à recuperação de áreas degradadas, ao aumento da produtividade e à redução da pressão sobre áreas de vegetação nativa.
Segundo Cunto, a iniciativa busca aliar produção e preservação ambiental. "Ao mesmo tempo, o Caminho Verde Brasil restaura áreas degradadas, minimiza a pressão de desmatamento em áreas de vegetação nativa e reduz a emissão de gases de efeito estufa. Com a implantação de sistemas produtivos sustentáveis, o produtor conquista mais resiliência para enfrentar os fenômenos climáticos, a produção e a renda aumentam, e o meio ambiente é protegido. É um ganha-ganha", afirmou.
Financiamento para a agropecuária sustentável
Durante o painel, o coordenador explicou que o Governo Federal e o Banco do Brasil estruturaram mecanismos para atrair investimentos públicos e privados destinados à expansão da agropecuária sustentável.
De acordo com ele, o Fiagro Multimercado é uma das ferramentas utilizadas para viabilizar os recursos necessários ao programa. "Para alcançarmos a meta do programa, restaurar 40 milhões de hectares de áreas degradadas, precisamos de US$ 6 bilhões por ano. Vamos realizar outros leilões com o Tesouro Nacional para atrair recursos externos", destacou.
Segurança alimentar e mudanças climáticas
O representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, ressaltou a importância estratégica do Brasil para a segurança alimentar global e alertou para os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Segundo ele, além das medidas de adaptação já adotadas pelo setor produtivo, será necessário avançar em ações de mitigação para reduzir os riscos à agricultura no longo prazo.
Meta de recuperar 40 milhões de hectares
Coordenado pelo Mapa, o Programa Caminho Verde Brasil tem como objetivo recuperar áreas degradadas e incorporá-las a sistemas produtivos sustentáveis. A meta é restaurar 40 milhões de hectares em um período de dez anos, contribuindo para a segurança alimentar, a transição energética e o cumprimento das metas ambientais do país.
Os produtores que aderirem ao programa assumem compromissos relacionados ao desmatamento zero, certificação trabalhista, monitoramento de carbono e adoção de práticas sustentáveis.
Na primeira fase, a iniciativa conta com cerca de US$ 6 bilhões em recursos para financiamento por meio de instituições financeiras habilitadas, entre elas Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal, BTG Pactual, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco Votorantim, Rabobank e Safra.
Além da apresentação do programa, o FIAP também promoveu debates sobre temas estratégicos para o futuro do agronegócio, como a Rota Bioceânica, a importância da soja e da pecuária para o abastecimento global, os biocombustíveis e as perspectivas para o acordo entre Mercosul e União Europeia.