Minas Gerais deve registrar safra recorde de cana-de-açúcar no ciclo 2026/27, iniciado em abril deste ano. Segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção mineira está estimada em 82,6 milhões de toneladas, volume 7,1% superior ao registrado na temporada anterior.
A área cultivada também deve apresentar crescimento no estado, com avanço estimado em 2%, reforçando a importância de Minas Gerais no cenário sucroenergético brasileiro.
Clima favoreceu desenvolvimento das lavouras
As condições climáticas ao longo do desenvolvimento da cultura contribuíram para o bom desempenho das lavouras. De acordo com a assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Maíra Ferman, a estação seca de 2025 foi menos severa do que nos ciclos anteriores, favorecendo a recuperação das áreas após o corte e ajudando na manutenção da umidade do solo.Segundo ela, as chuvas passaram a se regularizar a partir de dezembro e seguiram em níveis adequados durante o desenvolvimento vegetativo da cana, sem ocorrência de veranicos com impacto relevante sobre a produção.
O cenário climático também influenciou o ritmo operacional das usinas. Em algumas unidades produtoras, o início da colheita e da moagem foi adiado devido à maior umidade do solo, que prolongou o desenvolvimento vegetativo da cultura e retardou a maturação da cana.
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Produção de etanol deve avançar
Apesar da expectativa de redução no teor de açúcares em relação ao ciclo anterior, a tendência é de maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol, diante das condições de mercado e dos preços internacionais do açúcar.
A estimativa aponta que Minas Gerais deverá produzir cerca de 3,1 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, crescimento de 15,8% na comparação com o ciclo passado.
Já a produção de açúcar deve alcançar 5,6 milhões de toneladas, com leve retração de 0,6%.
Setor sucroenergético ganha força
O desempenho projetado reforça a relevância de Minas Gerais na cadeia sucroenergética nacional. O estado possui mais de 100 municípios produtores de cana e concentra importante parque industrial voltado à produção de açúcar, etanol e bioenergia.
O Triângulo Mineiro segue como principal polo produtor do estado, reunindo grande parte da produção e do processamento da cana-de-açúcar.
O crescimento da produção de etanol ocorre em meio ao fortalecimento dos biocombustíveis no Brasil, impulsionado pelo aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina e pela maior demanda por fontes renováveis de energia.
Além da produção de açúcar e etanol, a cadeia sucroenergética mineira também possui papel estratégico na geração de bioeletricidade, contribuindo para a matriz energética renovável e para o desenvolvimento econômico regional.
