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CNA critica suspensão do antidumping sobre leite importado

Entidade afirma que importações com preços artificialmente baixos seguem pressionando produtores brasileiros de leite

CNA critica suspensão do antidumping sobre leite importado
CNA afirma que suspensão das tarifas mantém produtores brasileiros expostos à concorrência desleal no mercado de leite em pó. Foto: CNA / Divulgação
Foto do autor Cássia Lombardi
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticou a decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de suspender a aplicação imediata das medidas antidumping sobre o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai. A decisão foi tomada mesmo após o governo reconhecer oficialmente a prática de dumping nas exportações dos dois países para o mercado brasileiro.

Segundo a entidade, a suspensão mantém os produtores nacionais expostos à concorrência considerada desleal, em um momento de forte pressão econômica sobre a cadeia leiteira brasileira.

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De acordo com a CNA, as importações de leite em pó atingiram novo recorde em 2026. Argentina e Uruguai responderam por 90% dos 604 milhões de litros equivalentes importados pelo Brasil, com preços considerados artificialmente baixos e distorções que chegariam a 60%.

A suspensão das tarifas ocorreu após a abertura de uma avaliação de interesse público pelo governo federal, que pretende analisar possíveis impactos econômicos e diplomáticos no âmbito do Mercosul antes de implementar as medidas.

Para a CNA, no entanto, a aplicação das tarifas não teria impacto relevante sobre a inflação dos alimentos. A entidade destaca que o leite em pó representa apenas 0,2% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na média dos últimos cinco anos.

Segundo o assessor técnico da CNA, Guilherme Souza Dias, os principais produtos consumidos pela população não seriam afetados pela medida.

“Os principais lácteos consumidos pelos brasileiros, com destaque para o leite longa vida, queijos e outros produtos derivados, não serão afetados”, afirmou.

A entidade também argumenta que os produtores brasileiros enfrentam custos elevados de produção enquanto competem com produtos subsidiados pelos países vizinhos.

O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Jônadan Ma, afirmou que a entidade seguirá pressionando o governo pela adoção definitiva das medidas antidumping.

“A luta ainda não acabou, seguiremos dialogando com o governo para conquistar a legítima defesa comercial para nossos produtores de leite”, declarou.

Investigação teve início em 2024

O processo de investigação teve início em agosto de 2024, quando a CNA protocolou no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) um pedido formal para investigar práticas de dumping nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai.

Em dezembro daquele ano, o governo federal aceitou o pedido após identificar indícios de que os países exportavam leite em pó para o Brasil a preços inferiores aos praticados em seus próprios mercados internos.

Em agosto de 2025, o MDIC alterou entendimento histórico e passou a considerar que o leite fluido produzido pelos pecuaristas brasileiros não seria similar ao leite em pó importado. A mudança gerou reação do setor produtivo, que apresentou novos estudos e pareceres internacionais contestando a interpretação.

Após articulação da CNA junto à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), entidades do setor e parlamentares ligados à cadeia leiteira, o governo retomou a investigação em dezembro de 2025.

Dumping superior a 60%

Em abril de 2026, o Departamento de Defesa Comercial (Decom) do MDIC publicou nota técnica apontando margens de dumping de até 60% para produtos argentinos e de cerca de 50% para os uruguaios.

Já na 237ª reunião do Gecex, realizada em maio de 2026, o governo reconheceu oficialmente a prática desleal e aprovou tecnicamente as tarifas antidumping. Apesar disso, os efeitos da medida foram suspensos temporariamente para análise de interesse público.

A CNA afirma que continuará acompanhando o processo e defendendo a adoção de instrumentos de defesa comercial para proteger os produtores brasileiros diante do avanço das importações.

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Editor RuralNews
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