Muito antes de Mato Grosso liderar a produção nacional de soja, milho e algodão, produtores rurais enfrentavam estradas precárias, falta de infraestrutura e longas distâncias para abrir áreas e consolidar a agricultura no estado.
As histórias de agricultores que chegaram ao Cerrado mato-grossense nas décadas de 1970 e 1980 ajudam a explicar como o estado se transformou em uma das principais potências do agronegócio brasileiro.
Natural do Paraná, o produtor rural Valdir Ciomar chegou a Mato Grosso no início dos anos 1980 em busca de oportunidades no campo. Ao lado dos irmãos, iniciou a produção agrícola em Rondonópolis praticamente sem estrutura.
Segundo ele, os primeiros anos foram marcados por trabalho intenso, dificuldades logísticas e poucos recursos financeiros.
“Quando nós viemos para cá, viemos em cima de caminhão. Trouxemos uma colheitadeira, um trator e uma grade que meu pai deu para começarmos. A gente morava dentro de barracão e depois em barraco de lona”, relembra.
Expansão agrícola mudou o estado
Na época, o avanço da agricultura dependia basicamente da força de trabalho dos produtores e da disposição para enfrentar as limitações da região.
Valdir conta que passou anos morando dentro de caminhão enquanto trabalhava na implantação das lavouras. A rotina incluía longas jornadas entre colheitadeiras, tratores e pulverizadores.
Mesmo diante das dificuldades, ele afirma que a persistência dos produtores foi essencial para consolidar o desenvolvimento agrícola de Mato Grosso. “Na época era só Cerrado. Hoje vejo tudo que o estado se tornou e tenho orgulho de ter participado dessa construção”, afirma.
A mesma percepção é compartilhada pelo produtor João Marcos Bustamante, que chegou a Sinop em 1980, quando o município ainda iniciava seu processo de expansão.
Segundo ele, a falta de comunicação, estradas e estrutura dificultava o trabalho no campo e o transporte da produção. “Plantávamos dois ou três hectares por dia. As máquinas eram pequenas e precárias. Muitas vezes o caminhão atolava e precisávamos dormir na estrada”, lembra.
Tecnologia fortaleceu produção
Ao longo das últimas décadas, o avanço tecnológico mudou completamente a realidade das propriedades rurais no estado.
O uso de agricultura de precisão, sementes mais produtivas, mecanização e novas técnicas de manejo permitiu ampliar produtividade e consolidar Mato Grosso como referência nacional na produção de grãos e fibras.
Além do crescimento agrícola, a expansão do setor impulsionou a economia de municípios do interior, fortaleceu cadeias logísticas, ampliou exportações e gerou empregos ligados ao agronegócio.
Hoje, Mato Grosso concentra parte relevante da produção brasileira de soja, milho e algodão, além de avançar em cadeias como etanol de milho e proteína animal.
Legado permanece no campo
Para produtores pioneiros, o desenvolvimento do estado está diretamente ligado à persistência de famílias que acreditaram no potencial agrícola da região mesmo diante das dificuldades iniciais.
As histórias ajudam a retratar como o crescimento do agro mato-grossense foi construído ao longo de décadas por produtores que ajudaram a abrir novas áreas, investir em tecnologia e transformar o estado em referência nacional no campo.
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