A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) intensificou nesta semana a atuação em defesa de melhorias na infraestrutura elétrica do campo. A entidade participou de agendas em Cuiabá e Brasília voltadas à ampliação da rede trifásica e à discussão sobre a qualidade do fornecimento de energia nas propriedades rurais.
O tema ganhou força após o anúncio da parceria entre o Governo de Mato Grosso e a Energisa para expansão do sistema trifásico no estado. O programa prevê investimentos de R$ 1,5 bilhão entre 2026 e 2030, divididos igualmente entre o governo estadual e a concessionária.
Ampliação da rede trifásica
Durante evento no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, a Aprosoja MT acompanhou a assinatura da parceria que prevê obras em assentamentos, comunidades rurais, distritos e áreas de pequenos e médios produtores.
Segundo o diretor administrativo da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Política Agrícola, Diego Bertuol, o avanço da infraestrutura elétrica é essencial para atender a crescente demanda do agronegócio mato-grossense.
Ele afirma que a agricultura tecnificada exige fornecimento estável para irrigação, armazenagem, beneficiamento e industrialização, além de outras tecnologias utilizadas no campo.
Bertuol ressaltou que Mato Grosso ainda enfrenta um déficit histórico na distribuição de energia rural e que será necessário acompanhar de perto a execução dos investimentos e os critérios de aplicação dos recursos.
Falhas no fornecimento preocupam produtores
A entidade também alertou para os problemas enfrentados em regiões atendidas por redes monofásicas, consideradas insuficientes para suportar a demanda atual da agropecuária.
Segundo a Aprosoja MT, oscilações constantes, interrupções e baixa capacidade de carga comprometem investimentos, elevam custos operacionais e aumentam os riscos nas propriedades rurais.
A delegada coordenadora do Núcleo de Nova Mutum, Daiana Costa Beber, afirmou que os investimentos precisam resultar em melhorias efetivas na qualidade do fornecimento, garantindo estabilidade e confiabilidade para o setor produtivo.
Para ela, o desafio não está apenas na expansão da rede elétrica, mas também em assegurar que a energia acompanhe o crescimento do agronegócio, da indústria e das cidades mato-grossenses.
Aprosoja leva demandas à ANEEL
Além da agenda em Cuiabá, representantes da Aprosoja MT participaram de reunião com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em Brasília.
No encontro, a entidade apresentou demandas relacionadas à qualidade do fornecimento de energia em Mato Grosso e defendeu mudanças regulatórias que considerem as particularidades da atividade agropecuária.
Segundo a associação, os indicadores utilizados atualmente pela agência refletem principalmente a realidade urbana e não contemplam adequadamente os desafios enfrentados nas áreas rurais.
A entidade destacou que quedas de energia, oscilações e demora no atendimento podem comprometer diretamente a produção agropecuária, afetando equipamentos, sistemas de irrigação e estruturas de armazenagem.
Energia como fator estratégico
Durante a reunião, a Aprosoja MT também reforçou a necessidade de considerar fatores como grandes distâncias entre propriedades, dispersão das unidades consumidoras e dependência crescente de tecnologias no campo.
De acordo com Diego Bertuol, a energia rural deixou de ser apenas uma demanda de infraestrutura e passou a ser condição essencial para garantir competitividade e continuidade da produção agropecuária.
A ANEEL demonstrou abertura ao diálogo e destacou a importância da aproximação com entidades representativas para construção de soluções voltadas à realidade do campo.
A Aprosoja MT informou que seguirá acompanhando os investimentos previstos para o sistema trifásico e as discussões regulatórias relacionadas à qualidade da energia elétrica em Mato Grosso.
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