O milho deixou de ocupar apenas um papel complementar nas propriedades rurais de Mato Grosso e se transformou em uma das principais forças econômicas do agronegócio estadual. Impulsionada pelo avanço tecnológico, pela expansão das usinas de etanol e pelo crescimento da demanda interna, a cultura consolidou espaço nas lavouras e na economia do estado.
O município de Sorriso, principal produtor nacional do grão, simboliza essa transformação. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a produção local saltou de 1,1 milhão de toneladas na safra 2009/10 para 3,8 milhões de toneladas na temporada 2024/25.
Ao mesmo tempo, a área cultivada no município mais que dobrou, passando de 200 mil hectares em 2008 para 440 mil hectares em 2024.
Tecnologia mudou perfil da produção
Vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso, Luiz Pedro Bier afirma que o milho começou a ganhar espaço inicialmente como alternativa para reduzir custos da soja e melhorar a qualidade do solo por meio da palhada.
Com a evolução da tecnologia no campo e o encurtamento do ciclo da soja, os produtores passaram a aproveitar melhor a janela climática para intensificar o cultivo do cereal.
Segundo ele, o milho deixou de ser tratado como “safrinha” e passou a ocupar posição estratégica dentro das propriedades rurais mato-grossenses.
“O milho se tornou uma fonte importante de renda para o produtor e hoje já é produzido praticamente em uma safra cheia em muitas regiões”, afirmou.
Etanol amplia demanda pelo grão
A expansão do setor de biocombustíveis é apontada como um dos principais motores do crescimento do milho no estado. Atualmente, cerca de 13,9 milhões de toneladas do grão são destinadas à produção de etanol em Mato Grosso.
Esse volume gera aproximadamente 5,6 bilhões de litros de combustível por ano, além de movimentar bilhões de reais na economia estadual por meio de impostos, logística, geração de empregos e subprodutos industriais.
Além do etanol, o milho também abastece cadeias como ração animal, biodiesel e produção de DDG, ingrediente utilizado na nutrição animal.
Sorriso lidera produção nacional
Sozinho, o município de Sorriso respondeu por 6,9% de toda a produção de milho de Mato Grosso na safra 2024/25. O estado, por sua vez, produziu 55,4 milhões de toneladas do cereal no período, mantendo a liderança nacional.
Para representantes do setor, o desempenho é resultado direto do investimento dos produtores em tecnologia, agricultura de precisão, escolha de híbridos mais produtivos e gestão no campo.
Além do impacto nas propriedades rurais, o crescimento da cultura movimenta transportadoras, armazéns, cooperativas, comércio e prestação de serviços em diversas regiões do estado.
Cultura exige planejamento
Apesar do avanço, produtores destacam que o milho exige cada vez mais profissionalização e planejamento técnico. O uso intensivo de tecnologia elevou a produtividade, mas também aumentou os custos e a necessidade de gestão eficiente das lavouras.
Segundo lideranças do setor, a cultura hoje ocupa praticamente toda a área agrícola disponível em muitas regiões produtoras, consolidando-se como uma das principais bases econômicas do agronegócio mato-grossense.
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