Faesp critica Plano Safra e alerta para risco de endividamento

Em nota oficial, o presidente da federação, Tirso Meirelles, aponta que exigências de instituições travam investimentos e ampliam endividamento
Faesp critica Plano Safra e alerta para risco de endividamento
Tirso Meirelles aponta que burocracia do crédito privado ameaça a sustentabilidade financeira do produtor.
Foto do autor Jair Reinaldo
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A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) emitiu uma nota oficial de posicionamento manifestando a forte frustração do setor produtivo paulista com as diretrizes anunciadas para o Plano Safra 2026/2027. Sob a liderança do presidente da entidade, Tirso Meirelles, a federação avalia que o incremento nominal de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior ignora a realidade operacional do campo e falha em apresentar mecanismos de socorro ao endividamento estrutural que sufoca milhares de propriedades rurais.

De acordo com o manifesto da Faesp, o desenho financeiro do novo plano agrava um problema crônico de distribuição de capital: os maiores volumes de recursos destinados a investimentos de longo prazo voltam a ficar concentrados sob a gestão de entidades privadas de crédito. Na prática, o produtor rural esbarra em exigências burocráticas e garantias colaterais extremamente severas impostas por essas instituições de mercado. Esse cenário acaba por emperrar as transações nas agências bancárias, impedindo que o dinheiro chegue à base produtiva em tempo hábil e empurrando o produtor para um cenário de alto risco financeiro.



Risco de insolvência e o apelo por uma política de Estado

Tirso Meirelles enfatiza que a concessão de novas linhas de financiamento, sem que haja uma ampla reestruturação dos passivos já acumulados nas fazendas, não cumpre o papel de impulsionar a modernização tecnológica. Pelo contrário, diante de custos de produção elevados e juros reais proibitivos, a tomada de mais crédito sob regras rígidas acelera a perda de liquidez e coloca o patrimônio das empresas rurais na rota do desastre contábil. A federação pontua que o setor vive um cenário paradoxal de alta capacidade produtiva e esgotamento do fluxo de caixa.

Diante do atual ambiente de incertezas, a nota oficial da Faesp reitera a urgência de o Brasil romper com o modelo de pacotes sazonais e instituir uma política agrícola única e permanente de longo prazo — um projeto de Estado capaz de garantir previsibilidade aos investimentos. Essa estabilidade jurídica é considerada vital para dar suporte aos pequenos e médios produtores, que representam mais de 70% das propriedades rurais de São Paulo e operam com margens de lucro severamente espremidas.

Fragilidade do seguro e falta de suporte na ponta

Outro ponto de forte contestação na nota da federação é a manutenção de um orçamento limitado e frágil para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Sem uma cobertura robusta contra as frequentes adversidades climáticas, como secas e incêndios, o produtor rural permanece exposto e desprovido de ferramentas institucionais de gestão de riscos.

A Faesp conclui que o Plano Safra só produzirá os impactos econômicos esperados quando for integrado a um plano de securitização de dívidas, com taxas e prazos compatíveis com a capacidade de pagamento do campo, assegurando a continuidade de uma das principais engrenagens da economia nacional.

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