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Armazenagem

Déficit de armazenagem amplia uso de silo bolsa em MT

Com déficit estimado em mais de 45 milhões de toneladas, Mato Grosso amplia o uso do silo bolsa para armazenar grãos e reduzir a dependência de estruturas terceirizadas

Déficit de armazenagem amplia uso de silo bolsa em MT
Silo bolsa ganha espaço nas propriedades rurais de Mato Grosso como alternativa para armazenar grãos e ampliar a autonomia dos produtores. Foto: Aprosoja MT / Divulgação
Foto do autor Jair Reinaldo
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A falta de capacidade de armazenagem continua sendo um dos principais desafios da produção agrícola em Mato Grosso. Com sucessivos recordes de safra e uma infraestrutura que não acompanha o mesmo ritmo de crescimento, produtores têm recorrido cada vez mais ao silo bolsa para armazenar milho e outros grãos dentro das propriedades, reduzindo a pressão logística durante a colheita e ganhando maior autonomia na comercialização.

Atualmente, a capacidade de armazenagem de grãos no Brasil está estimada em cerca de 225 milhões de toneladas, volume considerado insuficiente diante da produção nacional. Como consequência, parte significativa da safra precisa ser escoada logo após a colheita, aumentando filas em unidades recebedoras, elevando custos logísticos e reduzindo o poder de negociação do produtor.

Segundo o vice-presidente Oeste da Aprosoja Mato Grosso, Gilson Antunes de Melo, o déficit de armazenagem afeta diretamente a rentabilidade das propriedades e limita a capacidade dos produtores de escolher o melhor momento para comercializar a produção.

“Quando chega o momento da colheita, o produtor muitas vezes não tem onde armazenar a produção. Em várias cidades de Mato Grosso há apenas um ou dois armazéns, e todos acabam colhendo praticamente no mesmo período. Com isso, surgem as filas para descarregar e o produtor fica dias com os caminhões aguardando. Esse atraso afeta diretamente a colheita, reduz a produtividade e compromete a rentabilidade”, afirmou.

De acordo com ele, a falta de estrutura faz com que muitos produtores precisem vender os grãos quando o mercado está comprando, e não necessariamente quando os preços são mais atrativos.

“Se ele tivesse o produto estocado dentro da própria propriedade, com estrutura de armazenagem, poderia escolher o melhor momento para vender, conseguindo melhores preços e maior rentabilidade”, acrescentou.

Silo bolsa ganha espaço nas propriedades

Diante desse cenário, o silo bolsa tem se consolidado como uma das principais alternativas para ampliar a capacidade de armazenagem nas fazendas. A tecnologia permite conservar os grãos por períodos prolongados com menor investimento em comparação aos sistemas convencionais.

Para Gilson Antunes de Melo, a solução se tornou estratégica principalmente durante a segunda safra.

“O silo bolsa caiu como uma luva nesse cenário. Se considerarmos que a capacidade de armazenagem cobre cerca de 50% da safra, o restante acaba ficando na lavoura ou nos caminhões. Nesse contexto, o silo bolsa se tornou uma das primeiras alternativas dos produtores para armazenar a produção. Ela não exige um custo elevado para implantação, mantém a qualidade dos grãos e permite que o produtor comercialize em um momento mais estratégico”, destacou.

Mato Grosso enfrenta déficit superior a 45 milhões de toneladas

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que Mato Grosso possui capacidade instalada para armazenar aproximadamente 57,9 milhões de toneladas. Apesar de ser o maior volume do país, a estrutura é suficiente para estocar apenas 52% da produção estadual de grãos.

Quando consideradas apenas as culturas de soja e milho, a cobertura chega a 56%, resultando em um déficit estimado em 45,28 milhões de toneladas. O cenário evidencia um descompasso entre o crescimento da produção agrícola e os investimentos em infraestrutura de armazenagem.

Autonomia na comercialização

O produtor rural Ivo Frohlich Júnior, de Campos de Júlio, afirma que a adoção do silo bolsa trouxe maior flexibilidade para a venda da produção e ajudou a reduzir custos relacionados à armazenagem e ao transporte.

“O principal motivo que nos levou a adotar o uso do silo bolsa foi a possibilidade de obter um preço melhor. Na entressafra, é possível alcançar valores mais atrativos, o que acaba compensando todos os custos do sistema e garantindo rentabilidade”, relatou.

Segundo ele, a tecnologia também reduz a dependência de estruturas terceirizadas e amplia as opções de negociação.

“Com o silo bolsa, o produtor ganha mais autonomia, uma vez que ele fica livre para negociar no mercado, vender para quem quiser e quando puder, inclusive para o mercado interno, sem pagar custos de armazenagem”, afirmou.

Para o produtor, a ferramenta já se tornou indispensável dentro da propriedade. “Eu vejo o silo bolsa como uma das tecnologias de armazenamento que chegaram para ficar e que têm sido cada vez mais utilizadas. Quem adotou essa ferramenta até hoje, em geral, não se arrepende, justamente pelos benefícios que ela oferece”, concluiu.

Enquanto o setor busca soluções estruturais para ampliar a capacidade de armazenagem em Mato Grosso, o silo bolsa segue ganhando espaço como alternativa para reduzir gargalos logísticos, preservar a qualidade dos grãos e fortalecer a estratégia comercial dos produtores rurais.

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