A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) reforçou a importância estratégica do milho segunda safra para o desenvolvimento econômico do estado e defendeu políticas de crédito capazes de garantir competitividade, planejamento e segurança financeira aos produtores rurais. O posicionamento foi apresentado durante a Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra, realizada em Querência, no Leste mato-grossense.
O evento reuniu produtores, lideranças políticas, empresários e representantes do setor produtivo para debater temas como crédito rural, custos de produção, logística, inovação e oportunidades para a cadeia do milho.
Segundo a Famato, a cultura deixou de ser uma atividade complementar para assumir papel central na geração de renda, na agroindustrialização e na expansão econômica dos municípios do interior de Mato Grosso.
Milho ganha protagonismo na economia estadual
O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, destacou que o cereal passou por uma transformação ao longo dos últimos anos e hoje ocupa posição estratégica na produção agrícola do estado.
De acordo com ele, o que começou como uma alternativa para rotação de culturas e apoio à soja tornou-se uma safra consolidada, capaz de sustentar novas cadeias produtivas e impulsionar investimentos industriais.
Vilmondes ressaltou que a expansão das usinas de etanol de milho, da produção de bioenergia e da proteína animal deverá elevar significativamente a demanda pelo cereal nos próximos anos.
Para o dirigente, Mato Grosso vive um momento de verticalização da produção agropecuária, com maior agregação de valor dentro do próprio estado.
Crédito e endividamento preocupam produtores
Durante os debates, a Famato também reforçou a necessidade de medidas que auxiliem produtores rurais diante dos desafios financeiros enfrentados pelo setor.
A entidade acompanha as discussões sobre o Projeto de Lei 5.122/2023, que trata da criação de mecanismos de financiamento para renegociação de dívidas rurais.
Segundo Vilmondes, a federação tem trabalhado junto aos poderes públicos para buscar alternativas que ofereçam maior segurança aos produtores que enfrentam dificuldades para planejar as próximas safras.
Produção segue com expectativa positiva
O superintendente da Famato e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, avaliou que a safra 2025/26 apresenta perspectivas favoráveis.
Conforme projeções do Imea, a produtividade média do milho foi estimada em 120,28 sacas por hectare, com produção prevista de 53,349 milhões de toneladas em uma área cultivada de 7,392 milhões de hectares.
Segundo Gauer, as equipes técnicas seguem monitorando as lavouras, mas os resultados observados até o momento indicam boas produtividades e desempenho positivo no campo.
Ele destacou ainda que o sistema produtivo baseado na sucessão soja-milho permitiu aos produtores ampliar a rentabilidade, otimizar o uso de máquinas e mão de obra e aumentar a eficiência das propriedades.
Agroindustrialização amplia demanda
O avanço das indústrias de transformação foi apontado como um dos principais fatores para o crescimento da cadeia do milho em Mato Grosso.
Para Gauer, a expansão do etanol de milho nos últimos anos contribuiu para aumentar a capacidade de absorção da produção estadual, criando novas oportunidades para os agricultores.
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, também destacou a importância da agroindustrialização para o futuro econômico do estado. Segundo ele, a produção de biocombustíveis e proteína animal a partir do milho representa uma das principais vocações econômicas da região.
Durante o evento, produtores e lideranças rurais também ressaltaram que o cereal tem desempenhado papel fundamental na rentabilidade das propriedades, especialmente diante das margens mais apertadas registradas na cultura da soja nos últimos anos.
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