Fora dos holofotes dos grandes blocos econômicos, Mato Grosso mantém uma relação de comércio exterior altamente estratégica e complementar com a Noruega. De acordo com os dados consolidados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a corrente comercial entre o estado e o país europeu movimentou US$ 49,25 milhões no balanço consolidado do último ano. Desse montante global, as exportações mato-grossenses responderam por US$ 45,26 milhões, contra apenas US$ 3,99 milhões em importações de produtos noruegueses, gerando um superávit comercial de US$ 41,27 milhões para o caixa estadual.
A soja em grão consolidou-se como o motor dessa parceria bilateral. As tradings operando em Mato Grosso embarcaram 105,8 mil toneladas do grão rumo aos portos noruegueses, gerando um faturamento de US$ 44,6 milhões. A pauta exportadora do estado também registrou envios de carne bovina, somando 42 toneladas e gerando uma receita complementar de US$ 670 mil. Na contrapartida das transações, os fertilizantes minerais lideraram as compras feitas pelo estado: foram adquiridas 10,4 mil toneladas do insumo químico norueguês, uma transação de US$ 4 milhões que abasteceu as cooperativas e revendas locais.
Insumos por grãos e a agenda da sustentabilidade global
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, destaca que esse modelo de fluxo comercial joga luz sobre o dinamismo das cadeias globais de suprimento agropecuário. Na visão do executivo, o comércio internacional do agronegócio não se limita à entrega física de commodities brutas na ponta consumidora. Trata-se de uma via de mão dupla que envolve a aquisição de tecnologias essenciais para garantir o rendimento das safras dentro da porteira. A Noruega cumpre exatamente o papel de parceira sinérgica, absorvendo a proteína vegetal e fornecendo fertilizantes indispensáveis para corrigir e nutrir os solos do Cerrado.
Mais do que o intercâmbio de mercadorias, a relação com o país escandinavo expõe Mato Grosso a exigências de mercado cada vez mais rígidas em termos de rastreabilidade, descarbonização e governança ambiental. Como a Noruega adota legislações rigorosas para a importação de alimentos, o Imea avalia que o avanço tecnológico das fazendas mato-grossenses — unindo agricultura de precisão e compliance florestal — será o divisor de águas para consolidar o estado em mercados de alto valor agregado. Segundo a entidade, o cenário global exige que os grandes exportadores comprovem de forma transparente os atributos sustentáveis de seus sistemas de cultivo para manter as fronteiras comerciais abertas.
