A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) defendeu que o Brasil assuma protagonismo internacional na construção de critérios de sustentabilidade mais adequados à realidade da agricultura tropical. A proposta foi apresentada durante a Rio Nature Climate Week, realizada no Rio de Janeiro, em agenda conjunta com a Aprosoja Brasil.
A iniciativa foi levada ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, e busca ampliar a participação dos países tropicais na formulação de métricas e metodologias utilizadas globalmente para avaliar a sustentabilidade da produção agropecuária.
Segundo a entidade, grande parte dos indicadores atualmente adotados por organismos internacionais e mercados consumidores foi desenvolvida com base nas características produtivas de países de clima temperado, especialmente do hemisfério norte. Na avaliação da Aprosoja MT, a aplicação desses parâmetros à realidade brasileira pode resultar em análises que não refletem adequadamente as condições de produção nos trópicos.
A proposta apresentada durante o evento tem como objetivo promover uma adaptação desses critérios, considerando fatores como clima, solo, sistemas produtivos, exigências ambientais, rastreabilidade e desafios logísticos enfrentados pelos países tropicais.
De acordo com o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, o Brasil reúne condições para participar ativamente da construção dessas referências internacionais por contar com elevada produtividade agrícola, uso intensivo de tecnologia e uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo.
A entidade defende que o país deixe de atuar apenas como receptor das regras estabelecidas por outros mercados e passe a contribuir diretamente para a definição dos parâmetros utilizados nas avaliações globais de sustentabilidade.
A proposta também integra a agenda que vem sendo construída pela Aprosoja MT em preparação para a COP30 e busca ampliar o reconhecimento das características da agricultura tropical nos fóruns internacionais. A avaliação é de que países responsáveis por parcela significativa da produção mundial de alimentos precisam ter maior participação na elaboração das metodologias utilizadas para medir desempenho ambiental e produtivo.
Para a entidade, a adequação desses critérios pode contribuir para tornar o debate sobre sustentabilidade mais transparente, ampliar a confiança dos mercados internacionais e reduzir interpretações consideradas distorcidas sobre a produção agropecuária brasileira.
Em meio ao aumento das exigências ambientais e das discussões relacionadas ao comércio internacional, a Aprosoja MT avalia que o Brasil tem condições de transformar sua experiência produtiva em uma referência global, fortalecendo sua posição nos debates sobre sustentabilidade, segurança alimentar e competitividade do agronegócio.