A segunda edição da Etapa Algodão do Rally da Safra tem início nesta segunda-feira (27), com o apoio institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). A expedição técnica percorrerá os principais polos produtores da Bahia e de Mato Grosso para realizar um diagnóstico detalhado das lavouras durante a colheita da safra 2025/26.
Mesmo com uma redução de 4,1% na área plantada nacional, estimada em 2,12 milhões de hectares, as estimativas pré-Rally da Agroconsult apontam que a produção brasileira poderá alcançar 4,2 milhões de toneladas de pluma. A expectativa é de que a alta produtividade média, projetada em 318 arrobas de algodão em caroço por hectare, compense a retração de área.
Testes de qualidade vão avaliar 100% da safra de algodão 2025/2026
Vendedores de algodão sustentam preços mesmo com mercado frio
Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, iniciativas que geram dados independentes fortalecem o planejamento do setor e trazem transparência. O dirigente destaca que as informações qualificadas do Rally auxiliam produtores, a indústria e formuladores de políticas públicas, além de consolidar a credibilidade e a competitividade da fibra brasileira no mercado internacional.
Roteiro das equipes e metodologia de avaliação
As equipes técnicas vão a campo divididas em três etapas regionais:
27 de julho a 1º de agosto (Oeste da Bahia): Cobertura em Correntina, Posto do Rosário, Roda Velha, Formosa do Rio Preto, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães.
10 a 14 de agosto (Sudeste de Mato Grosso): Inspeção em Rondonópolis, Primavera do Leste, Santo Antônio do Leste, Campo Verde e reunião com grandes grupos em Cuiabá.
23 a 28 de agosto (Oeste e Médio-Norte de Mato Grosso): Mapeamento em Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio.
A coordenação técnica explica que o trabalho combina mapeamento por satélite via plataforma CropData para validar áreas irrigadas com o diagnóstico in loco sobre pragas, doenças e mato-competição. Os números finais consolidados serão apresentados em 22 de setembro, durante o Congresso Brasileiro do Algodão.
Panorama em Mato Grosso e na Bahia
Em Mato Grosso, maior produtor nacional, projeta-se uma redução de 6,5% na área plantada e queda de 5,6% na colheita de pluma, totalizando 2,9 milhões de toneladas. No entanto, o rendimento médio deve subir para 318 arrobas por hectare (ante 315 no ciclo passado), impulsionado pelo crescimento das lavouras no Médio-Norte, compensando o desempenho irregular no Leste do estado devido às chuvas atípicas.
Na Bahia, a área plantada permanece estável em 425 mil hectares, com a expansão das lavouras irrigadas — que já representam quase metade do estado — compensando o recuo no sequeiro. A produção baiana pode avançar 10,6%, alcançando 882 mil toneladas, com produtividade média estimada em 335 arrobas por hectare.
Déficit mundial deve sustentar cotações internacionais
A safra brasileira 2025/26 ingressará no mercado global entre agosto de 2026 e julho de 2027, ciclo em que se projeta um déficit global de aproximadamente 600 mil toneladas de algodão.
A menor oferta de concorrentes estratégicos como Estados Unidos, Austrália, Índia e China, somada aos impactos climáticos do El Niño nas monções indianas e alertas no plantio norte-americano, tende a criar um ambiente altista para as cotações internacionais da fibra ao longo do período.
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