Alta dos insumos eleva custos e preocupa agro
Custos elevados com insumos e combustível desafiam a rentabilidade no campo
O novo relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária revela um cenário de pressão crescente sobre os custos de produção no campo, especialmente para a safra de soja 2026/2027 em Mato Grosso. O custeio da oleaginosa foi estimado em R$ 4.435,40 por hectare, avanço de 6,98% no comparativo mensal, impulsionado principalmente pela alta dos fertilizantes.
Os insumos, que já representam quase metade do custo total da lavoura, tiveram aumento de 10,77%, alcançando R$ 2.071,87 por hectare, um dos maiores patamares da série histórica. Esse movimento é intensificado pela elevação do diesel no estado, que passou de R$ 6,35 por litro em fevereiro para R$ 7,21 em março, pressionando diretamente os custos logísticos e o frete de distribuição.
No milho, o cenário também é de cautela. O Valor Bruto da Produção (VBP) da safra 2024/2025 foi revisado para R$ 39,16 bilhões, queda de 5,25% em relação à estimativa anterior. Já para o ciclo 2025/2026, a projeção é de R$ 38,69 bilhões, com recuo frente às previsões anteriores e também em relação à safra passada, refletindo incertezas quanto à produtividade e expectativa de menor produção.
Para o algodão, os custos seguem em alta, ainda que em ritmo mais moderado. O custeio da safra 2026/2027 foi projetado em R$ 10.531,50 por hectare, enquanto o custo total atingiu R$ 18.630,38 por hectare. A elevação está associada, novamente, aos fertilizantes e corretivos, impactados por restrições de oferta e fatores externos.
Na pecuária de corte, o primeiro trimestre de 2026 trouxe aumento de 2,98% no Custo Operacional Total da cria, chegando a R$ 9,69 por quilo. Apesar disso, a valorização do bezerro sustentou a rentabilidade da atividade, elevando a margem bruta e incentivando a retenção de fêmeas, o que pode influenciar a oferta futura de animais.
Já na cadeia do leite, o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC-MT) avançou 5,81% em março, refletindo a alta nos custos com alimentação e suplementação. O cenário reforça a pressão sobre o produtor, que enfrenta aumento nos custos operacionais.
Por outro lado, o setor de suínos registrou queda nos preços. O valor pago pelo animal vivo recuou para R$ 5,88 por quilo, o menor nível desde junho de 2024, influenciado pela retração da demanda doméstica. A carne suína acompanhou o movimento de desvalorização.
Na avicultura, o desempenho segue positivo no mercado externo. As exportações brasileiras de carne de aves mantêm ritmo acelerado em abril, com projeção de crescimento superior a 19% na comparação anual, sustentando o setor mesmo diante das pressões de custo.
Diante desse cenário, o relatório reforça a necessidade de atenção redobrada por parte do produtor rural, especialmente no planejamento da safra e na gestão de custos, em um ambiente marcado por volatilidade e desafios na rentabilidade.
