Uma delegação de produtores rurais da Argentina visitou Mato Grosso para conhecer de perto os fatores que transformaram o estado em uma das principais potências agrícolas do mundo. Recebidos pelo Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), os visitantes acompanharam apresentações sobre produção, produtividade, inovação, sustentabilidade, logística e agroindustrialização.
Os integrantes dos grupos CREA Pico-Baron e CREA Quemu-Catrilo, das províncias de La Pampa e Buenos Aires, participaram de uma agenda técnica em Cuiabá, onde tiveram acesso a indicadores que mostram a evolução da agropecuária mato-grossense e sua relevância para o abastecimento nacional e internacional.
Tecnologia e gestão impulsionam crescimento
Durante os encontros, representantes da Famato destacaram como a combinação entre tecnologia, gestão eficiente, escala produtiva e inovação contribuiu para consolidar Mato Grosso como referência mundial na produção de grãos, fibras, carnes e bioenergia.
Segundo o superintendente da Famato e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, o interesse dos produtores argentinos demonstra a importância crescente do estado no cenário global do agronegócio.
De acordo com ele, Mato Grosso reúne características únicas que o tornam estratégico para a segurança alimentar e energética, além de ser acompanhado de perto por produtores, empresas e instituições de diversos países.
Inovação no campo chama atenção da delegação
A programação também incluiu uma visita ao AgriHub, hub de inovação do Sistema Famato que conecta produtores rurais, startups, instituições de pesquisa e empresas de tecnologia para desenvolver soluções voltadas aos desafios do campo.
Os visitantes conheceram ainda a startup Gado Certo, criada em Mato Grosso e especializada na intermediação digital de compra e venda de bovinos. A plataforma utiliza ferramentas tecnológicas para ampliar a segurança, a transparência e a eficiência das negociações pecuárias.
Além da agenda em Cuiabá, a delegação percorreu os municípios de Sinop e Lucas do Rio Verde, onde acompanhou de perto diferentes etapas do sistema produtivo mato-grossense.
Mato Grosso influencia decisões do mercado global
Para o produtor argentino Juan Ingouville, um dos participantes da missão, a velocidade de crescimento do agronegócio mato-grossense foi um dos aspectos mais impressionantes observados durante a visita.
Segundo ele, o avanço da agricultura, da produção de etanol, dos sistemas de múltiplas safras e da adoção de tecnologia tem transformado Mato Grosso em um protagonista mundial na produção de grãos.
Ingouville destacou ainda que o desempenho brasileiro passou a exercer influência direta sobre as análises de mercado feitas pelos produtores argentinos. Na avaliação dele, o Brasil, especialmente Mato Grosso, tornou-se um dos principais referenciais globais para acompanhar a dinâmica de oferta e demanda de commodities agrícolas.
Diferenças entre os modelos produtivos
A visita também abriu espaço para a troca de experiências entre os produtores dos dois países. Os argentinos apresentaram características do modelo agrícola adotado na Argentina, marcado por forte presença de áreas arrendadas e empresas prestadoras de serviços.
Segundo Ingouville, cerca de 75% da atividade agrícola argentina ocorre em terras arrendadas, em um sistema no qual proprietários, produtores e donos das máquinas frequentemente são agentes distintos.
O produtor, que cultiva aproximadamente 9 mil hectares e também presta serviços agrícolas, explicou que esse modelo favoreceu o surgimento dos chamados pools de plantio, grupos empresariais que arrendam áreas, contratam serviços especializados e assumem o risco financeiro da produção.
A missão reforçou o papel de Mato Grosso como referência internacional em produtividade, tecnologia e inovação no campo, além de evidenciar a crescente relevância do estado nas discussões globais sobre segurança alimentar, energia renovável e produção sustentável.