Pastoreio Rotatínuo simplifica manejo e eleva eficiência do leite

Metodologia apresentada pela Emater/RS-Ascar orienta o manejo do gado leiteiro com base na estrutura da forragem, reduzindo gastos com cercas e otimizando a mão de obra
Pastoreio Rotatínuo simplifica manejo e eleva eficiência do leite
Reunião reúne pecuaristas da Rede Elite a Pasto para avaliar eficiência do Pastoreio Rotatínuo em Júlio de Castilhos (RS). Foto: Divulgação
Foto do autor Fernando Teixeira
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Os produtores de leite integrantes da Rede Elite a Pasto, baseados em Júlio de Castilhos (RS), participaram de uma reunião técnica focada em inovação e quebra de paradigmas para o manejo de pastagens. O encontro debateu a viabilidade prática do Pastoreio Rotatínuo, metodologia que substitui os cronogramas rígidos de calendário pela observação direta do comportamento de pastejo e do desenvolvimento da planta. A atividade ocorreu na propriedade de Givanildo de Oliveira, localizada na comunidade de Ramada.

Na unidade de produção, o pecuarista validou o manejo de pasto em área contínua — ou seja, sem a necessidade de subdivisões em piquetes tradicionais —, utilizando exclusivamente o controle de altura da vegetação conforme os parâmetros técnicos estabelecidos pela Emater/RS-Ascar. O sistema comprova que a estrutura morfológica do pasto é a principal referência necessária para a tomada de decisões assertivas no campo.



Como funciona o Pastoreio Rotatínuo?

Ao contrário do sistema rotativo convencional — onde o rebanho é transferido entre potreiros em intervalos de dias previamente fixados —, o Pastoreio Rotatínuo prioriza a eficiência de bocado do animal. A estratégia consiste em oferecer a forragem em sua estrutura (altura) considerada ótima. Nesse ponto específico do ciclo da planta, a taxa de ingestão de matéria seca é máxima, permitindo que as vacas consumam um volume maior de alimento em menos tempo.

Técnicos explicam que o conceito pode ser aplicado com ou sem a divisão física de cercas, desde que a comunidade de plantas seja mantida nessa faixa ideal de altura. O foco do treinamento foi capacitar os produtores gaúchos para monitorar o comportamento do rebanho e identificar visualmente os limiares que evitam o subpastejo (desperdício de capim passado) e o superpastejo (rapagem excessiva que atrasa o rebrote).

"Com o Pastoreio Rotatínuo, ainda que o manejo seja feito com piquetes diários, acabamos manejando sempre com poucos e grandes piquetes, já que o rebrote do pasto é muito rápido com o pastejo de baixa intensidade. A partir do momento em que assumimos as divisões em piquetes como ferramentas para controle da estrutura do pasto, e não como o centro do manejo, abrimos a possibilidade de controlar essas alturas também com piquetes para vários dias ou até sem piquetes, em área contínua, como demonstramos a campo. Isso representa uma oportunidade de simplificar a mão de obra e reduzir custos, sem abrir mão da eficiência e da produtividade", destaca o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Leandro Ebert.

Troca de experiências e evolução do projeto

O encontro consolida a segunda rodada de capacitações da Rede Elite a Pasto. No ciclo anterior, o grupo de produtores debateu o manejo estratégico da suplementação alimentar no cocho, traçando diretrizes para mitigar os efeitos de vazios forrageiros e potencializar a conversão alimentar nos momentos de pico produtivo das pastagens tropicais e hibernais.

O Projeto de Desenvolvimento da Produção Leiteira Eficiente à Base de Pasto (Rede Elite a Pasto) foi implementado pela Emater/RS-Ascar em cooperação com os produtores locais. A iniciativa assiste atualmente 30 famílias rurais da região central do Rio Grande do Sul, divididas em quatro núcleos técnicos que englobam a cadeia do leite e a bovinocultura de corte.

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