A safra de soja 2025/2026 em Mato Grosso do Sul encerrou com resultados acima das projeções iniciais e confirmou avanço na produtividade das lavouras. O balanço consolidado divulgado pela Aprosoja/MS, em parceria com o Sistema Famasul e a Semadesc, aponta produção total de 16,744 milhões de toneladas e produtividade média estadual de 60,40 sacas por hectare.
Os números superaram as estimativas iniciais da safra, que indicavam produtividade média de 52,8 sacas por hectare e produção de 15,2 milhões de toneladas.
A área cultivada com soja no Estado totalizou 4,620 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em relação ao ciclo anterior. Já a produtividade apresentou alta de 16,6% frente às 51,79 sacas por hectare registradas na safra 2024/2025.
Com isso, a produção estadual avançou 19,1% em comparação ao ciclo passado, quando Mato Grosso do Sul colheu 14,060 milhões de toneladas.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o crescimento da área plantada começa a desacelerar, indicando um novo momento para o setor.
“O resultado de 2025/2026 indica uma desaceleração importante em relação ao ciclo de expansão iniciado em 2017/2018. Após vários anos com crescimento sustentado acima de 4% na área destinada ao cultivo da soja, a taxa de 2,1% sugere uma possível transição para um novo estágio, marcado por menor incorporação de área e maior foco em ganhos de produtividade”, afirmou.
Norte e nordeste impulsionam resultado estadual
A análise realizada pelo Projeto SIGA-MS apontou que o desempenho das regiões norte e nordeste foi decisivo para o avanço da produtividade estadual.
A região norte registrou média de 68,01 sacas por hectare e respondeu por 18,4% de toda a soja produzida em Mato Grosso do Sul.
Já a região sul, que concentra 60,8% da área cultivada no Estado, apresentou produtividade média ponderada de 59,20 sacas por hectare. Na região central, responsável por 22,9% da área monitorada, a média ficou em 58,17 sacas por hectare.
Municípios lideram produtividade e produção
O município de Alcinópolis liderou o ranking estadual de produtividade, alcançando média de 81,85 sacas por hectare em uma área de 7.846 hectares.
Na sequência, aparecem Costa Rica, com produtividade média de 76,91 sacas por hectare em uma área de 100.123 hectares; Chapadão do Sul, com 75,65 sacas por hectare em 140.885 hectares; e Três Lagoas, que registrou média de 73,50 sacas por hectare em 827 hectares.
No ranking de produção, Ponta Porã consolidou a liderança estadual ao colher mais de 1,46 milhão de toneladas de soja em uma área de 362,6 mil hectares, com produtividade média de 67,50 sacas por hectare.
Maracaju aparece na sequência, com 1,28 milhão de toneladas, seguido por Sidrolândia, com 963,6 mil toneladas.
Por outro lado, municípios como Bela Vista e Iguatemi registraram produtividade abaixo da média estadual, influenciando o indicador geral da safra.
Clima marcou o desenvolvimento da safra
O ciclo produtivo foi marcado por oscilações climáticas ao longo do plantio e desenvolvimento das lavouras.
A semeadura começou sob estiagem prolongada e chuvas abaixo da média histórica em grande parte do Estado. Mesmo assim, o plantio avançou durante outubro e novembro e foi concluído em dezembro.
O mês de dezembro apresentou condições favoráveis para o desenvolvimento das lavouras, com volumes de chuva acima da média histórica em praticamente todas as regiões.
Entretanto, em janeiro de 2026, o retorno da estiagem e as temperaturas elevadas provocaram estresse térmico e hídrico, especialmente na região sul do Estado, comprometendo parte do potencial produtivo.
A recuperação parcial das condições ocorreu entre fevereiro e março, quando o aumento das chuvas favoreceu o enchimento de grãos e a reta final da colheita.
Segundo Gabriel Balta, o levantamento permite identificar regiões mais eficientes e direcionar investimentos estratégicos para elevar a produtividade estadual.
“A irrigação mostrou-se um componente essencial na busca por maior produtividade, especialmente nas regiões que adotaram essa tecnologia, evidenciando o impacto positivo de investimentos estratégicos na transformação agrícola”, concluiu.
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