Goiás e o Distrito Federal registraram uma lucratividade média de 37% na safra de soja 2025/26. Este é o melhor desempenho financeiro obtido pelas fazendas da região desde o ciclo 2021/22, segundo aponta um estudo exclusivo realizado pelo Aegro Insights. O avanço expressivo das margens foi impulsionado diretamente pelo ganho de produtividade no campo.
De acordo com o engenheiro agrônomo Mathias Bergamin, especialista em inteligência de mercado e responsável pelo estudo, a combinação de alta produtividade e logística favorecida ditou o tom positivo da safra. “Goiás registrou um rendimento excelente no ciclo 2025/26, colhendo em média 70 sacas por hectare, além de garantir um valor de venda mais atrativo devido às vantagens logísticas. A produtividade puxou a régua para cima e fez a margem de segurança dobrar, mas o produtor precisa redobrar a atenção para o próximo ciclo, acompanhando de perto as cotações de fertilizantes”, analisa.
O abismo entre as fazendas mais e menos eficientes
Os dados detalhados da pesquisa revelam uma grande disparidade econômica entre as propriedades da região. O ranking de rentabilidade comparou o desempenho do grupo correspondente aos 10% melhores resultados (Top 10%) com as propriedades inseridas na base inferior do levantamento (10% piores resultados).
Enquanto as fazendas do topo registraram um lucro de R$ 6.108,00 por hectare (o equivalente a 54,1 sacas por hectare), as áreas de menor rendimento amargaram um lucro bruto de apenas R$ 4,00 por hectare. Essa diferença é explicada principalmente pelo custo de produção: no grupo de alta eficiência, o custo para produzir uma saca de soja ficou em R$ 44,58, enquanto nas propriedades de pior desempenho esse valor saltou para R$ 118,11 por saca, patamar que supera o preço de mercado do grão.
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Para contornar esse cenário e proteger o caixa das fazendas na temporada 2026/27, a recomendação técnica foca no planejamento de compras. “O produtor deve cotar os insumos exaustivamente e compor seus custos aos poucos, aproveitando as janelas de desvalorização sazonal do mercado. O ideal para o próximo ciclo é priorizar o uso de capital próprio nas operações, minimizando a necessidade de financiamentos diante de um cenário de clima mais instável”, aconselha Bergamin.
Próximo ciclo reserva clima adverso e custos maiores
O especialista alerta que o ambiente favorável observado na safra 2025/26 dificilmente se repetirá no curto prazo. A projeção desenha desafios severos para o ciclo 2026/27, reunindo alta nos juros, câmbio pressionado e aumento de custos operacionais.
“Para a próxima safra, o setor deve enfrentar um cenário bastante complexo. A presença do El Niño aumenta muito o risco de quebra de safra em Goiás devido à falta de chuvas regulares. Paralelamente, os preços da soja tendem a se manter estáveis, enquanto os insumos, o dólar e as taxas de juros continuam elevados. Há uma série de fatores jogando contra a rentabilidade do produtor rural no momento”, pontua Bergamin.
Indicadores Consolidados da Safra 2025/26 em GO e DF:
Produtividade média: 70,6 sacas por hectare (recorde das últimas oito temporadas);
Lucro bruto médio: R$ 3.175,00 por hectare (lucratividade de 37%);
Custo operacional: R$ 4.771,00 por hectare (recuo de 31% frente ao ciclo 2022/23);
Margem de segurança: 28,2 sacas por hectare;
Ponto de equilíbrio: 42,4 sacas de soja por hectare.
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