Centro-Sul amplia área de cana para 9,17 milhões de hectares

Mapeamento aponta expansão de 3,1% no canavial apto para colheita na safra 2026/27 e troca de posições entre polos produtores
Centro-Sul amplia área de cana para 9,17 milhões de hectares
Renovação de lavouras impulsiona Nova Alvorada do Sul (MS) ao topo da lista de municípios com maior área útil de corte.
Foto do autor Cássia Lombardi
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A área de cana-de-açúcar disponível para colheita na região Centro-Sul do Brasil alcançou 9,17 milhões de hectares na safra 2026/2027, o que representa um crescimento de 3,1% em comparação aos 8,9 milhões de hectares registrados no ciclo anterior. Os dados constam no novo mapeamento de imagens de satélite e inteligência de dados da Serasa Experian, que identificou mudanças importantes na liderança dos polos produtores municipais. Essa movimentação no ranking foi impulsionada, majoritariamente, pelo ciclo de renovação e reforma dos canaviais.

Apesar das alterações de posições nas primeiras colocações, o nível de concentração geográfica da atividade sucroenergética permanece estável. Os 12 principais municípios em extensão de área apta para o corte continuam respondendo por 10,4% de toda a superfície mapeada no Centro-Sul. O grande destaque do atual levantamento é o município de Nova Alvorada do Sul (MS), que assumiu a primeira colocação nacional em área disponível. Outro indicador relevante é a entrada de Nova Andradina (MS) no grupo dos 12 maiores polos da região, substituindo Guaíra (SP).



Ciclo de reforma explica o ganho de produtividade

O manejo técnico dos canaviais justifica a dança das cadeiras entre os municípios produtores. Periodicamente, blocos de lavouras passam por processos de reforma programada para recuperar o potencial biológico da cultura. Durante esse período, as áreas ficam temporariamente fora das estatísticas de colheita e, ao retornarem nos ciclos seguintes em condições agronômicas mais favoráveis, provocam oscilações nos rankings regionais.

O município de Nova Andradina ilustra com precisão essa dinâmica de mercado: na safra 2025/2026, cerca de 12,1 mil hectares da cidade estavam sob reforma estrita; já no ciclo 2026/2027, mais de 10 mil hectares recuperados voltaram a integrar a área útil de colheita, acelerando o avanço do município no Centro-Sul.

São Paulo retém hegemonia, mas Mato Grosso do Sul ganha fatia

A distribuição estadual da cultura consolida o predomínio de quatro estados da federação, que concentram 91% de toda a área monitorada:

São Paulo: Lidera isolado com 57,1% do total (5,24 milhões de hectares).

Goiás: Ocupa a segunda posição com 12,4%.

Minas Gerais: Registra a fatia de 12,2%.

Mato Grosso do Sul: Detém 9,3% do mercado.

Embora a hegemonia paulista siga incontestável, o Mato Grosso do Sul foi o estado que registrou o maior crescimento percentual comparativo (+0,3%), impulsionado pelo desempenho robusto de polos como Rio Brilhante, Costa Rica, Ivinhema, além das duas lideranças em Nova Alvorada do Sul e Nova Andradina.

Sob a ótica macroeconômica, o acompanhamento em nível municipal via geotecnologia antecipa as tendências de oferta em um momento de crescente relevância dos biocombustíveis na matriz energética global. Compreender a oscilação da área disponível e a idade média dos canaviais é crucial para projetar a capacidade de moagem das usinas e a consequente curva de fornecimento de etanol e açúcar do país.

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