A possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros tem gerado apreensão no agronegócio. Embora diversos itens tenham sido incluídos em uma lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano, representantes do setor avaliam que a medida pode comprometer a competitividade de cadeias produtivas importantes caso seja efetivamente implementada.
Segundo o gerente do Grupo Econômico e Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), Edson Novaes, qualquer aumento de tarifas sobre produtos brasileiros tende a reduzir a competitividade das exportações nacionais.
“Qualquer tarifa aplicada sobre as exportações brasileiras é ruim, porque afetará os produtos atingidos, retirando competitividade devido ao aumento dos custos para exportação”, afirma.
Setores goianos podem sentir os efeitos
A investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos.
Apesar disso, o governo dos EUA divulgou uma lista de exceções que contempla produtos considerados estratégicos, entre eles carne bovina, frutas, café, especiarias, alimentos processados, aeronaves e minerais estratégicos.
Para Goiás, os principais impactos devem atingir setores que ficaram fora dessa relação. “Os efeitos para o Estado virão principalmente para produtos que ficaram fora da lista de exceção. Apesar de representarem uma parcela menor das exportações, setores como açúcar, milho e pescados podem ser prejudicados caso a nova tarifa seja implementada”, explica Novaes.
Medida ainda depende de aprovação
A nova tarifa ainda não entrou em vigor. Pela legislação norte-americana, a investigação precisa ser concluída e passar por etapas de consulta pública antes da adoção de qualquer medida definitiva.
Para a FAEG, esse período deve ser aproveitado para fortalecer as negociações entre os dois países.
“É importante que haja diálogo entre os governos para que esses setores que ainda poderão ser tributados também sejam incluídos na lista de exceções”, destaca o gerente técnico.
A expectativa é que uma definição ocorra até 15 de julho de 2026, data considerada decisiva para os próximos passos das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Reflexos podem ir além dos setores afetados
Mesmo com parte importante dos produtos agropecuários fora da lista inicial de sobretaxação, a entidade alerta para possíveis impactos indiretos no futuro.
Segundo Novaes, o cenário exige monitoramento constante, já que novas decisões podem alterar a relação de produtos beneficiados pelas exceções.
“Os impactos indiretos sempre podem surgir. Produtos que hoje estão fora da lista podem entrar futuramente por uma decisão do governo americano. Por isso, é necessário acompanhar atentamente o processo e manter o diálogo com as autoridades responsáveis pelas negociações internacionais”, ressalta.
Busca por novos mercados
Caso as tarifas sejam confirmadas, a avaliação da FAEG é de que o agronegócio goiano possui capacidade para ampliar sua presença em outros destinos internacionais e reduzir eventuais perdas comerciais.
“O agronegócio goiano tem demonstrado competitividade e capacidade de adaptação. Se essas taxas forem realmente aplicadas, teremos condições de buscar novos mercados e ampliar a participação em destinos onde nossos produtos já possuem espaço”, afirma Novaes.
Apesar dessa possibilidade, a principal prioridade do setor continua sendo evitar a adoção das sobretaxas. Para a entidade, preservar um ambiente comercial favorável é fundamental para manter a competitividade dos produtos brasileiros e garantir oportunidades aos produtores rurais.
“Nosso entendimento é que o governo brasileiro deve fortalecer os canais de diálogo com os Estados Unidos, apresentando dados e informações que demonstrem a importância da continuidade das relações comerciais sem a aplicação dessas sobretaxas”, conclui o gerente técnico da FAEG.
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