Corte no Plano Safra preocupa produtores de Goiás

Redução no crédito de custeio e tesourada em programas como o PCA e Moderfrota elevam os desafios de um ciclo que projeta queda de 9,1% na safra goiana.
Corte no Plano Safra preocupa produtores de Goiás
Sem garantias para a subvenção do seguro rural, produtores goianos iniciam o ciclo expostos aos riscos climáticos do El Niño.
Foto do autor Wandell Seixas
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O desenho do Plano Safra 2026/2027 gerou fortes preocupações institucionais no Centro-Oeste. De acordo com a análise técnica divulgada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), o programa federal trouxe cortes severos em linhas consideradas vitais para a sustentabilidade econômica do produtor de grãos e carne. A entidade destaca a retração de 14,7% nos recursos equalizados — verbas que contam com subsídio do Tesouro Nacional para baratear os juros —, que despencaram de R$ 113,8 bilhões no ciclo anterior para R$ 97 bilhões no atual.

O encolhimento atinge diretamente o caixa das fazendas em um período de endividamento elevado e alta necessidade de capital de giro para a compra de insumos básicos. A Faeg pondera que os pequenos recuos anunciados nas taxas de juros (entre 1% e 1,5% em linhas específicas) são insuficientes. O grande entrave é que uma fatia expressiva do volume total anunciado opera sob a modalidade de juros livres de mercado, cujas taxas reais oscilam entre 15% e 19% ao ano na ponta bancária.



Tesourada nos investimentos estratégicos

A avaliação detalhada do Grupo de Estudos Técnicos Econômicos da Faegexpõe quedas drásticas nos principais programas de modernização e sustentabilidade do campo:

Moderfrota (Máquinas e Tratores): Despencou de R$ 9,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões (queda de 61%).

PCA (Armazéns): Encolheu de R$ 4,5 bilhões para R$ 3,4 bilhões.

Inovagro (Tecnologia): Sofreu corte, passando de R$ 6,8 bilhões para R$ 4,2 bilhões.

RenovAgro (Sustentabilidade): Reduzido de R$ 5,8 bilhões para R$ 4,2 bilhões.

Embora o governo alegue que a linha geral de investimentos subiu de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, a federação goiana esclarece que o indicador foi inflado pela inserção de fundos contábeis externos, que tradicionalmente nunca integraram o escopo prático do crédito rural para o produtor na agência bancária.

O apagão do seguro e a quebra projetada em Goiás

A ausência de garantias e de um anúncio robusto para a subvenção ao prêmio do seguro rural é outro ponto crítico da análise. Enquanto o setor produtivo demandava um aporte de R$ 4 bilhões para mitigar os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, o plano não trouxe definições claras. No ciclo passado, dos R$ 1,01 bilhão prometidos para o seguro, apenas R$ 565 milhões foram efetivamente liberados pelo governo federal.

Esses gargalos financeiros e de proteção tarifária devem colidir com a realidade de campo nas principais regiões produtoras. Enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma colheita nacional recorde de 358,6 milhões de toneladas (+1,8%), as projeções locais da Faeg desenham um cenário adverso para Goiás. O estado deve registrar uma retração de 9,1% na sua colheita, recuando de 37,3 milhões para 33,9 milhões de toneladas, resultado puxado diretamente pelas margens esmagadas e perdas esperadas no milho safrinha.

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