O preço do leite pago ao produtor interrompeu a sequência de valorizações e apresentou estabilidade no cenário nacional. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a "Média Brasil" líquida fechou o mês de maio cotada a R$ 2,6617 por livro. O valor representa uma oscilação negativa de 0,45% na comparação com o mês anterior e de 3,8% em termos reais frente a igual período do ano passado.
O mercado se comportou de maneira regionalizada e desigual entre as principais bacias do país:
Sudeste e Centro-Oeste: Os preços mantiveram a trajetória de alta. A produção local segue limitada pela entressafra e pelo menor potencial produtivo das fazendas — reflexo direto do desinvestimento feito por produtores após as margens apertadas do ano passado. A baixa oferta acirrou a disputa entre os laticínios pela matéria-prima.
Região Sul: Na contramão, registrou queda nas cotações. O clima favorável e o excelente desenvolvimento das pastagens de inverno aceleraram a recuperação do volume captado, pressionando as tabelas.
O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea apontou estabilidade de abril para maio (+0,07%), embora o acumulado do primeiro semestre do ano ainda carregue uma retração firme de 13,7%.
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Custos operacionais dão o primeiro alívio do ano
Pelo lado dos insumos, os pecuaristas encontraram um fôlego momentâneo. O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade registrou em maio a primeira queda do ano, recuando 1,39%. Apesar do alívio mensal, o custo acumula alta de 1,80% neste ano, puxado pelas despesas elevadas com nutrição animal, manejos sanitários e operações de máquinas.
No elo industrial, o levantamento realizado pelo Cepea com o suporte da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) indicou desvalorização nos derivados. O leite UHT caiu 7,56% no atacado, enquanto a muçarela (+0,12%) e o leite em pó (+0,13%) andaram de lado. O monitoramento prévio indica que a pressão de baixa nos derivados se intensificou na primeira quinzena de junho.
Balança comercial e importações no radar
O mercado brasileiro continuou operando sob forte presença do produto estrangeiro. As importações de lácteos subiram 3,58% em maio, totalizando 226,21 milhões de litros equivalente-leite — um salto de 28% na comparação anual.
As exportações do agro brasileiro também cresceram no mês (+45,33%), somando 5,81 milhão de litros, mas o volume embarcado para o exterior segue tímido e é 21,42% menor do que o registrado no mesmo mês do ano anterior. Para as próximas semanas, o mercado projeta a manutenção do cenário dividido: o Sul deve seguir pressionado pela oferta, enquanto o Sudeste e Centro-Oeste buscam estabilização no topo.
