O mercado do suíno vivo encerrou o mês de junho consolidando um cenário de severa crise de preços e registrando o sexto mês consecutivo de desvalorização na porteira. De acordo com os dados apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a conjuntura na região de SP-5 — que abrange os polos de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — atingiu o pior patamar de preços reais das últimas duas décadas, aproximando-se de marcas históricas que não eram vistas desde julho de 2006.
Os indicadores financeiros calculados pelos pesquisadores (valores deflacionados pelo IGP-DI de maio de 2026) apontam que a média do quilo do animal vivo posto na indústria fechou junho cotada a R$ 5,25. O resultado representa um recuo imediato de 2,9% em relação ao mês anterior e uma queda expressiva de 41,2% na comparação com junho do ano passado. Para efeito de comparação histórica, o valor atual flerta com os R$ 5,14 por quilo praticados em julho de 2006, evidenciando o tamanho do recuo real sofrido pela atividade.
Excesso de oferta e demanda interna enfraquecida
O corpo técnico do Cepea explica que o forte movimento baixista é reflexo direto de um descompasso estrutural entre a produção e o consumo. Agentes de mercado consultados apontam que o plantel nacional de matrizes suínas mantém uma trajetória de crescimento contínuo há cerca de quatro anos. Essa expansão elevou a produtividade e o volume de carne disponível no mercado. Contudo, o consumo doméstico de proteínas não acompanhou o mesmo ritmo de avanço, travando o escoamento nas gôndolas dos supermercados.
Pelo lado do comércio exterior, embora os embarques para o mercado internacional continuem ocorrendo, o volume exportado não tem demonstrado fôlego suficiente para enxugar o excedente de produção acumulado nos frigoríficos nacionais. Sem uma válvula de escape robusta nas exportações e com o consumidor brasileiro com o poder de compra limitado, a pressão sob a cadeia industrial é repassada diretamente para o produtor, que passa a operar com margens esmagadas e, em muitos casos, abaixo do custo operacional de produção.
