O mercado internacional da soja opera em campo negativo na manhã desta quinta-feira na Bolsa de Chicago (CBOT), devolvendo parte dos ganhos superiores a 5% registrados nas duas primeiras sessões da semana. Segundo o relatório diário da Granoeste Corretora, as cotações recuaram entre 3 e 5 pontos na sessão anterior, com o contrato de agosto sendo negociado na faixa de U$ 11,87 por bushel, uma desvalorização de 6 centavos.
De acordo com a análise da Granoeste Corretora, esse movimento de realização de lucros reflete a busca de investidores por ativos mais seguros devido à retomada dos conflitos no Oriente Médio e à consequente aversão ao risco global. Além disso, os operadores redesenham suas estratégias e posicionam suas carteiras antes da divulgação do novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será apresentado na tarde desta sexta-feira. Um leve alívio nas condições climáticas do Meio-Oeste americano também contribui para a calmaria momentânea nos preços.
A pressão negativa sobre os contratos, no entanto, encontra limites. As incertezas climáticas de longo prazo, principalmente para as fases decisivas de julho e agosto na definição da safra dos Estados Unidos, mantêm o mercado em alerta. Para o relatório do USDA, a expectativa média dos analistas aponta para um aumento na produção norte-americana para cerca de 121,3 milhões de toneladas, contra as 120,7 milhões indicadas em junho. Quanto aos estoques globais, espera-se um corte para a temporada 2025/26 (para 9,17 milhões de toneladas) e um leve incremento para o ciclo 2026/27 (para 8,82 milhões de toneladas).
Cenário Nacional: Queda no ritmo de embarques e cautela no campo
No Brasil, os negócios com o grão devem adotar um ritmo mais compassado após a boa movimentação registrada nos primeiros dias da semana. Levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indica que as exportações brasileiras de soja devem ultrapassar 12,0 milhões de toneladas em julho. O volume representa uma desaceleração natural em comparação com as 14,5 milhões de toneladas embarcadas no mês passado e fica ligeiramente abaixo das 12,3 milhões de toneladas registradas em julho do ano anterior.
Esmagamento de soja em MT bate recorde no 1º semestre
Preço da soja dispara em Chicago e movimenta o mercado interno
Adotando uma postura de "aguardar para ver", a ponta vendedora no país segura novos lotes apostando no risco climático nos Estados Unidos, na chegada gradual da entressafra nacional e na possibilidade de atraso nas chuvas do Centro-Oeste devido à transição climática para o El Niño.
No ambiente de comercialização, os prêmios nos portos seguem firmes, cotados entre 95 e 105 pontos acima de Chicago no mercado spot, subindo para 100 a 115 pontos em agosto e chegando a 105 a 120 pontos para setembro. No balizamento físico interno, as indicações de compra no oeste do Paraná abriram o dia variando entre R$ 132,00 e R$ 135,00 por saca, enquanto no porto de Paranaguá os preços oscilam de R$ 142,00 a R$ 145,00 por saca, a depender das condições de frete e dos prazos de pagamento.
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