Representantes do setor agropecuário nacional estiveram em Brasília nesta quarta-feira (08) para uma série de agendas estratégicas com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O foco principal das reuniões foi encontrar soluções urgentes para o endividamento agrícola e apresentar a proposta de criação de um Fundo Garantidor voltado ao agronegócio.
A comitiva contou com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain — representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) —, além de lideranças da Aprosoja Brasil, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e de outros segmentos da cadeia produtiva.
O objetivo do setor é assegurar que os produtores tenham acesso efetivo aos recursos financeiros necessários para o próximo ciclo produtivo. A grande preocupação das entidades é que, apesar dos volumes anunciados no Plano Safra, o aumento das exigências bancárias, o comprometimento de garantias reais e a alta dos custos financeiros impeçam muitos produtores de contratar novos financiamentos.
Inadimplência e crédito problemático disparam no campo
O sinal de alerta levado ao governo federal é respaldado por dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O levantamento aponta que as operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas saltaram para R$ 21,79 bilhões em Mato Grosso, o que representa 18,22% de toda a carteira de crédito rural do estado. Para dimensão do avanço do problema, em 2022 esse índice era de apenas 2,08%.
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O estudo do Imea mostra ainda que os atrasos superiores a 90 dias já comprometem 4,98% da carteira mato-grossense, somando R$ 5,25 bilhões em operações vencidas. Segundo as entidades, esses indicadores evidenciam que o maior gargalo atual não está na capacidade produtiva das fazendas, mas nas condições financeiras de acessar recursos e reorganizar o caixa para manter a atividade.
Fundo Garantidor de R$ 80 bilhões para salvar a safra
Durante as audiências, Vilmondes Tomain defendeu a estruturação de um Fundo Garantidor focado no agro para mitigar o risco das instituições financeiras, reduzir as exigências excessivas de garantias e destravar novas operações de custeio, especialmente para produtores economicamente viáveis que continuam em plena atividade.
“O produtor rural precisa do crédito na hora certa para colocar a safra de pé. O endividamento atual e a falta de garantias disponíveis têm travado as contratações. O Fundo Garantidor surge como uma alternativa concreta para dar segurança ao sistema financeiro e preservar a próxima safra”, destacou o presidente da Famato.
A proposta do setor sugere a criação de uma carteira específica dentro do FGI-PEAC, contando com um aporte inicial de R$ 8 bilhões por parte do Tesouro Nacional. Esse mecanismo teria o potencial de alavancar até R$ 80 bilhões em novos créditos para o campo. O modelo preservaria a análise de risco dos bancos e manteria a responsabilidade compartilhada entre o governo, as instituições financeiras e os tomadores.
Riscos para o abastecimento e economia dos municípios
As lideranças reforçaram que o endividamento precisa ser encarado como um problema de toda a cadeia econômica, e não apenas do produtor. A falta de crédito no campo pode afetar o ritmo de plantio, comprometer o abastecimento de alimentos, retrair a geração de renda e impactar diretamente o comércio e a arrecadação dos municípios agrícolas.
A mobilização conjunta na Vice-Presidência da República e a agenda técnica com o ministro André de Paula no Ministério da Agricultura (Mapa) reforçam o senso de urgência do setor na construção de uma saída estruturada para o financiamento das próximas safras.
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