Durante muitos anos, o grão-de-bico foi visto pelos brasileiros como um ingrediente exótico, restrito a receitas da culinária árabe e mediterrânea. Hoje, o cenário mudou. O crescimento da busca por proteínas vegetais, a popularização do homus e o interesse por snacks saudáveis colocaram essa pulse entre os alimentos que mais ganham espaço nas gôndolas do país.
Mais do que uma tendência gastronômica, a cultura representa uma oportunidade de ouro para o agronegócio brasileiro. Enquanto o consumo interno cresce, a produção nacional avança impulsionada pela pesquisa agrícola e pela excelente adaptação da planta ao Cerrado.
Uma das pulses mais consumidas do mundo
O grão-de-bico (Cicer arietinum) está entre as pulses mais produzidas e consumidas globalmente, sendo a base alimentar em países da Ásia, Oriente Médio e Norte da África.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), ele é uma fonte acessível de proteína vegetal, fibras, ferro, magnésio e vitaminas, além de apresentar uma baixa pegada ambiental. O consumo regular do alimento está associado à saúde cardiovascular, saciedade e ao bom funcionamento intestinal.
Produção nacional avança no Cerrado
O cultivo no Brasil é recente se comparado ao feijão, mas cresce de forma expressiva. Pesquisas conduzidas pela Embrapa Hortaliças permitiram o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima tropical, abrindo caminho para a produção em larga escala em estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e no Distrito Federal.
As variedades brasileiras registram produtividade entre 2,5 e 3,5 toneladas por hectare, índices que superam significativamente a média mundial. A cultivar BRS Aleppo, por exemplo, tornou-se a principal referência dos agricultores no Brasil Central devido ao seu elevado potencial produtivo e rentabilidade, surgindo como uma ótima alternativa para áreas irrigadas no inverno.
Dependência de importação e potencial exportador
Apesar do avanço nas lavouras, o Brasil ainda é um importador líquido do grão. Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o país importa historicamente mais de 7 mil toneladas por ano para suprir o mercado interno, trazendo o produto principalmente da Argentina e do México.
Por outro lado, o potencial exportador do país começa a despertar. Os embarques do grão-de-bico brasileiro vêm crescendo gradualmente e já alcançam mercados exigentes como Paquistão, Índia e Egito.
Para o Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE), o grão-de-bico conecta saudabilidade e sustentabilidade no campo, consolidando-se como uma cultura estratégica para o presente e o futuro do setor de pulses nacional.
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