De acordo com o mais recente boletim de mercado divulgado pela Granoeste Corretora, a Bolsa de Chicago (CBOT) vivencia uma semana marcada por intensas oscilações negativas para o complexo soja. Após o pregão de quarta-feira registrar perdas acumuladas próximas de 30 pontos, o mercado futuro ensaia uma tentativa de recuperação nesta manhã de quinta-feira, operando com ganhos pontuais de 4 pontos no contrato com vencimento em setembro/26, cotado na casa dos US$ 11,80 por bushel. Contudo, o movimento mantém as cotações em níveis semelhantes aos do início do mês, deixando mais distante o patamar simbólico dos US$ 12,00 por bushel.
No cenário internacional, três fatores centrais concentram a atenção dos agentes financeiros e analistas da corretora: a disparada global nas cotações do trigo — impulsionada pelo acirramento dos confrontos militares no Mar Negro, onde a Ucrânia atua como importante plataforma exportadora —, o monitoramento meteorológico nas áreas produtoras dos Estados Unidos, onde o cultivo entra em fase reprodutiva decisiva, e o impacto das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre a formação de preços do petróleo.
Soja recua em Chicago com clima nos EUA e leilões chineses
Safra de soja deve atingir 180,5 mi t com recorde de esmagamento no País
Do lado da demanda global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou que as vendas de exportação da soja norte-americana somaram 1,64 milhão de toneladas na última semana, abrangendo o acumulado das duas safras comerciais. O relatório confirmou a presença mais ativa da China nas aquisições de lotes nos últimos dias.
Mercado nacional: retração no interior e prêmios sustentados nos portos
No cenário doméstico, os analistas da Granoeste Corretora apontam que a oferta no mercado físico brasileiro permanece enxuta e restrita. As negociações continuam sendo realizadas de forma pontual pelo produtor rural, ocorrendo estritamente para o cumprimento de obrigações financeiras e compromissos operacionais de curto prazo.
De modo geral, os agricultores mantêm a retenção do grão estocado na expectativa de alcançar margens e preços mais atrativos nos próximos meses. Essa postura fundamenta-se na janela crítica do clima norte-americano — onde eventuais perdas de rendimento podem reintroduzir o prêmio de risco às cotações de Chicago —, no risco de atraso das precipitações no Centro-Oeste brasileiro no início do plantio sob influência do padrão El Niño, e no avanço gradual da entressafra nacional, fator que reduz substancialmente a disponibilidade do grão em praças do interior.
Diante dessa liquidez limitada, os prêmios de exportação indicados nos portos brasileiros mantêm-se firmes. No mercado spot, as referências operam na faixa entre 130 e 140 pontos; para entrega em setembro, oscilam entre 145 e 148 pontos; e para outubro, fixam-se entre 140 e 155 pontos.
Nas praças do interior, as indicações de compra de soja no Oeste do Paraná rodam na faixa de R$ 136,00 a R$ 140,00 por saca. Já no Porto de Paranaguá, as ofertas de compra situam-se entre R$ 148,00 e R$ 151,00 por saca. A oscilação dos valores finais pagos ao produtor depende do prazo de pagamento estipulado (se mais curto ou alongado) e, no caso das origens do interior, do local físico e da janela agendada para o embarque rodoviário ou ferroviário.
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