Os preços da arroba do boi gordo seguem operando com firmeza nas principais praças de pecuária do mercado doméstico, de acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). A sustentação dos patamares atuais decorre do ajuste na oferta de animais terminados prontos para o abate nas propriedades rurais e do fluxo contínuo e aquecido dos embarques de carne bovina para o mercado externo.
Contudo, a fraca intensidade do consumo no mercado doméstico continua atuando como o principal fator de contenção para novas altas no campo. De acordo com pesquisadores do Cepea, o orçamento apertado das famílias brasileiras tem limitado o consumo de cortes bovinos nas gôndolas do varejo, levando parcela significativa da população a substituir a carne bovina por fontes de proteína animal mais acessíveis, como carne de frango, carne suína e ovos.
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Mercado do boi gordo virou e indústria não consegue formar escalas
Ritmo de escoamento e margem da indústria
Essa mudança no comportamento de compra do consumidor reflete-se no ritmo de escoamento das câmaras frias no atacado. A movimentação mais lenta da carne nas distribuidoras e redes de supermercados dificulta a transferência dos custos de matéria-prima ao longo da cadeia produtiva.
Diante da compressão nas margens operacionais das plantas de abate, os frigoríficos mantêm posição de cautela na originação de lotes, evitando elevar os valores oferecidos pelas escalas de abate, mesmo em regiões produtoras de São Paulo, Mato Grosso, Goiás e no Paraná. A estratégia das indústrias visa equilibrar a produção à capacidade de absorção do mercado varejista sem gerar acúmulo de estoques de carne.
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