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Índia quer limitar importações para frear queda nos preços

Agricultores indianos pedem limite às importações para conter queda nos preços de Pulses e incentivar cultivo local.

Índia quer limitar importações para frear queda nos preços
Importações em alta pressionam preços de Pulses na Índia e preocupam agricultores locais. Foto: IBRAFE
Foto do autor Francieli Galo
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Para conter a queda nos preços de Pulses, agricultores e comerciantes da Índia intensificaram a pressão sobre o governo. A principal demanda é restringir a entrada de produtos importados a preços muito baixos. O objetivo é estabilizar o mercado e, ao mesmo tempo, motivar os produtores a expandirem suas áreas de cultivo.

De acordo com Sunil Kumar Baldeva, presidente da Associação de Agricultores e Comércio, os portos indianos enfrentam atualmente um excesso de oferta, especialmente com Ervilhas amarelas vindas da Rússia e do Canadá.

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“Pedimos ao governo que interrompa essas importações baratas. Isso garantirá preços estáveis no período de plantio e incentivará o aumento da produção interna. Com isso, a Índia poderá se tornar autossuficiente em dois ou três anos”, explicou Baldeva.

Entrada excessiva pressiona o mercado local

No passado, a mesma associação solicitou redução de impostos sobre Grão-de-bico e Ervilhas para compensar perdas na safra. No entanto, neste ano, a prioridade passou a ser a contenção das importações abaixo do preço local.

Atualmente, o governo indiano mantém isenção de impostos sobre a importação de Pulses como o Mungo preto (urad), a Ervilha-de-guandu (tur) e a Ervilha amarela até março de 2026. No entanto, especialistas alertam que essa política tem gerado efeitos negativos. A Ervilha amarela, por exemplo, vem sendo comprada a menos de US$ 400 por tonelada, valor que compromete a competitividade dos produtores locais.

Apesar de liderar a produção global de Pulses, a Índia ainda depende das importações para suprir o consumo doméstico. A medida que deveria evitar o aumento de preços acabou permitindo um volume recorde de compras externas, o que desequilibrou o mercado.

Queda nos preços desestimula a produção

No último ano fiscal, a Índia importou 6,63 milhões de toneladas de Pulses — praticamente o dobro de 2023. Desse total, 2,9 milhões de toneladas foram de Ervilhas amarelas, que até 2023 não eram sequer importadas pelo país.

Setores do agronegócio denunciam que a política atual favoreceu práticas de dumping, especialmente por parte do Canadá, da Rússia e de países africanos. Como consequência direta, os preços internos caíram abaixo do Preço Mínimo de Suporte (MSP), prejudicando os produtores.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o preço do Grão-de-bico caiu de R$ 9.600 para R$ 7.440 por tonelada. Da mesma forma, o Guandu recuou de R$ 13.200 para R$ 8.040. Já a Ervilha amarela passou de R$ 4.920 para apenas R$ 3.900 por tonelada.

Como reflexo imediato, muitos agricultores reduziram o plantio. Embora as monções tenham se comportado dentro da média, a área cultivada com Ervilha-de-guandu caiu 8% até o fim de julho, totalizando 3,49 milhões de hectares. A média considerada ideal para essa cultura na Índia é de 4,5 milhões de hectares.

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