Plano Safra entra no radar com pressão por mais recursos
Propostas incluem reforço no seguro rural, renegociação de dívidas e críticas ao uso do Prodes no crédito
O setor agropecuário brasileiro apresentou ao governo federal um pacote robusto de propostas para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027, com pedido de R$ 570 bilhões em recursos e críticas a entraves considerados limitantes ao acesso ao crédito rural.
O documento foi entregue pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com participação de federações estaduais, incluindo a do Rio Grande do Sul. A proposta prevê R$ 359 bilhões destinados ao custeio e à comercialização e R$ 111 bilhões para investimentos, além de um reforço de R$ 3 bilhões no orçamento do seguro rural ainda neste ano.
Entre os principais pontos de atenção do setor está o uso de dados do Prodes na concessão de crédito rural. As entidades argumentam que o sistema tem gerado bloqueios automáticos, sem diferenciar desmatamento legal de ilegal, o que estaria prejudicando produtores que atuam dentro das normas ambientais.
No campo legislativo, o setor apoia o Projeto de Lei 5122/2023, que propõe o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para viabilizar linhas de renegociação de dívidas rurais. A medida é vista como estratégica para evitar aumento da inadimplência, especialmente em regiões afetadas por eventos climáticos.
Pressão por ajustes técnicos e de mercado
Além do crédito, a pauta apresentada inclui temas técnicos considerados sensíveis. No caso do arroz, há cobrança por maior rigor na classificação de produtos importados, com o objetivo de proteger a competitividade do mercado interno.
Outro ponto é o mercado de carbono, onde produtores defendem a adaptação dos modelos internacionais à realidade brasileira, destacando o potencial de múltiplas safras e maior capacidade de sequestro de carbono no solo.
O setor também pede mudanças no seguro rural e no Proagro, apontando custos elevados e dificuldades no acesso às indenizações como entraves à adesão dos produtores.
O ministro da Agricultura destacou a importância das propostas e sinalizou abertura para diálogo com o setor. O Plano Safra 2026/2027 deve ser anunciado entre o fim de maio e o início de junho, em meio a um cenário de desafios climáticos e demanda crescente por financiamento no campo.
