O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou os dados consolidados do crédito rural voltado para a agricultura empresarial referentes à safra 2025/2026, período que compreende julho de 2025 a junho de 2026. O balanço final revela que o segmento movimentou um montante total de R$ 477,2 bilhões em financiamentos por todo o país, excluindo as operações destinadas à agricultura familiar (Pronaf). O resultado foi marcado pelo avanço das ferramentas de mercado livre, que ganharam espaço diante das amarras e do custo do dinheiro controlado pelo governo.
A Cédula de Produto Rural (CPR) consolidou-se como o motor mais importante de captação de recursos para as fazendas, somando R$ 205,2 bilhões e respondendo por uma fatia isolada de 43% de todo o crédito concedido no ciclo. Logo atrás aparecem as linhas de custeio tradicional, com 31,5% de participação (R$ 150,3 bilhões). Quando somados os recursos de custeio e CPR, o volume voltado para financiar a manutenção e a engrenagem da produção agrícola atingiu R$ 355,5 bilhões, abocanhando 74,5% de todo o bolo financeiro da safra.
Juros altos e seletividade travam investimentos
Se o dinheiro para colocar a safra de pé fluiu pelos papéis de mercado, o mesmo não ocorreu com os programas de investimento de longo prazo, que somaram R$ 50,5 bilhões. De acordo com os relatórios técnicos do Mapa, a conjuntura econômica do período impôs fortes barreiras ao produtor: taxas de juros elevadas, instabilidade no comércio internacional, riscos climáticos e maior rigor das instituições financeiras na hora de liberar as propostas.
Essa combinação travou a busca por modernização. Os recursos equalizáveis (que contam com subsídio do governo) somaram R$ 53,6 bilhões, o que representa apenas 58,6% de uma programação total estimada em R$ 91,4 bilhões. Entre as linhas específicas, o RenovAgro e o Pronamp lideraram as tomadas com R$ 5,2 bilhões cada, seguidos pelo Moderfrota, com R$ 4,2 bilhões. O programa para construção e ampliação de armazéns (PCA) encerrou o ciclo com o maior saldo não utilizado, deixando 62% de seu orçamento intocado devido à retração da demanda pelo crédito caro.
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Divisão por segmentos e fontes privadas
Na divisão por perfil de tomador, os médios e grandes produtores (grupo Demais Empresarial) lideraram as contratações com R$ 210,9 bilhões (44,1%). As emissões de CPR responderam por 43%, enquanto o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) contratou R$ 61,5 bilhões (12,9%). No campo agroindustrial, os repasses para processos de industrialização e agregação de valor somaram R$ 33,3 bilhões, concentrados integralmente no âmbito das grandes cooperativas de produção.
Diante do orçamento público mais restrito, as captações privadas foram as grandes operadoras do campo. Fora das linhas controladas pela União, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA Livre) injetaram R$ 67,1 bilhões no setor, acompanhadas de perto pela Poupança Rural Livre, que garantiu mais R$ 63,2 bilhões ao mercado agropecuário.
Dinâmica regional e o tamanho dos contratos
Ao todo, o país registrou 534.828 contratos de crédito rural emitidos para as empresas e médios produtores ao longo de doze meses. A região Sul liderou o ranking nacional em volume financeiro absoluto, movimentando R$ 81,2 bilhões distribuídos em 146.956 contratos. Na divisão interna do Sul, o estado do Paraná respondeu por 49% desse montante, seguido pelo Rio Grande do Sul (33%) e Santa Catarina (18%).
O Sudeste ocupou o segundo posto com R$ 75,9 bilhões aplicados, tendo Minas Gerais com metade das operações (50%) e São Paulo com 41%. O Centro-Oeste encerrou em terceiro lugar com R$ 75,8 bilhões, puxado pelo forte desempenho de Mato Grosso, responsável por 49% das operações regionais.
Embora o Sul lidere em volume, a escala das propriedades altera completamente o tamanho médio das transações por região. O Centro-Oeste registrou o maior tíquete médio por operação do país, alcançando o valor de R$ 1,19 milhão por contrato assinado, o que reflete o perfil de grandes latifúndios e lavouras de larga escala. O Sul, caracterizado por uma malha de produtores de médio porte altamente tecnificados, registrou o menor tíquete médio por contrato, fixado em R$ 552,2 mil.
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