O mercado cafeeiro brasileiro enfrentou fortes oscilações ao longo de junho de 2026, impulsionado por um volume de chuvas totalmente atípico para o período nas principais regiões produtoras de café arábica do país. Historicamente seco, o mês registrou precipitações expressivas que comprometeram o ritmo da colheita da safra 2026/27.
De acordo com a análise conjuntural do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a umidade excessiva derrubou grãos dos pés e inviabilizou a secagem nos terreiros. O principal temor dos produtores agora é com a qualidade dos lotes, devido ao risco iminente de aparecimento de mofo tanto nos frutos caídos no chão quanto nos que ainda estão nas plantas.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) detalham o tamanho do impacto nas principais praças produtoras:
Marília (Região Paulista): 88,2 mm;
Varginha (Sul de Minas): 73,2 mm;
Colheita de café chega a 30% nas principais praças
Tempo seco acelera colheita de café após atrasos de junho
Patrocínio (Cerrado Mineiro): 72,4 mm;
Londrina (Norte do Paraná): 71,6 mm;
Franca (Mogiana Paulista): 56,7 mm.
Gangorra nos preços do arábica
As condições climáticas ditaram o ritmo das cotações. Na primeira dezena de junho, com os trabalhos de campo avançando normalmente, os preços operavam em queda. No dia 9, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 (bebida dura para melhor, posto na capital paulista) desceu para R$ 1.383,57 por saca de 60 kg — o menor valor real diário desde outubro de 2024.
Contudo, a paralisação forçada das atividades devido às chuvas inverteu a tendência. Somente entre os dias 23 e 30 de junho, o Indicador reagiu e saltou 5,82%. Apesar dessa recuperação na reta final, a média fechada de junho (R$ 1.476,77/sc) terminou com uma forte queda de 10,7% na comparação com a média de maio (R$ 1.653,92/sc).O Cepea alerta que o excesso de umidade atual pode induzir floradas antecipadas, ameaçando o potencial produtivo da safra que será colhida no meio de 2027. O cenário ganha relevância global porque os estoques mundiais de café seguem apertados, e o mercado internacional depende diretamente do desempenho da colheita brasileira para recompor os inventários de arábica.
Café robusta pega carona na alta e se valoriza
Diferente do arábica, as lavouras de robusta sofreram menos com o clima. Em Linhares (ES), principal polo da variedade, o volume acumulado foi de apenas 30 mm, sem prejuízos à colheita. Mesmo assim, o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 (peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo) acumulou alta ao longo do mês.
O avanço do robusta foi sustentado por dois fatores principais: a percepção de que o volume final da safra 2026/27 pode ficar abaixo das projeções iniciais e o efeito de substituição, já que a reação de preços do arábica no fim do mês acabou puxando o robusta para cima. Na comparação das médias mensais, o robusta subiu 5,8%, valorizando-se de R$ 935,60/sc em maio para R$ 989,78/sc em junho.
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