O Governo Federal oficializou o lançamento das diretrizes operacionais do Plano Safra 2026/2027, direcionando o montante recorde de R$ 525,1 bilhões para o financiamento da agricultura empresarial e do cooperativismo de grande e médio porte. O orçamento apresenta um incremento nominal de R$ 9 bilhões em comparação com o ciclo anterior. O pacote de fomento ao setor foi detalhado no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), sob a coordenação do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, estabelecendo as bases tributárias e de crédito que vão balizar a instalação das lavouras de grãos e o manejo da pecuária no país.
Na distribuição de capital do Ministério da Agricultura, o pilar de custeio e comercialização absorveu a maior fatia das garantias, totalizando R$ 384,9 bilhões. O recurso destina-se a financiar o capital de giro para a aquisição de fertilizantes, sementes, defensivos e manutenção do plantel pecuário. Já o segmento de investimentos de longo prazo recebeu a dotação de R$ 140,2 bilhões, visando dar suporte à modernização tecnológica de frotas, mecanização, expansão de projetos de irrigação e obras de engenharia logística dentro das fazendas.
Queda na taxa Selic baliza o custo financeiro do Pronamp
A principal mudança macroeconômica desta edição consiste na redução das taxas máximas de juros reais incidentes sobre linhas de financiamento estratégico. Impulsionada pelo ciclo de corte da taxa Selic, a política agrícola buscou aliviar o custo de captação de recursos para o tomador final. Para as propriedades classificadas dentro do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o volume de crédito garantido foi fixado em R$ 72,6 bilhões, com teto de juros de 9% ao ano — índice inferior ao patamar cobrado no ciclo agropecuário anterior.
A engenharia financeira desenhada pelo Mapa também incluiu critérios de bonificação de acordo com o perfil de compliance do produtor. As novas regras estabelecem uma redução de até 1,0 ponto percentual na taxa de juros de custeio para propriedades com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado e sem pendências regulatórias, e para operações associadas a práticas sustentáveis e manejo biológico.
Mitigação de riscos e expansão do InvestAgro
A gestão de riscos climáticos foi incorporada como condição para o acesso facilitado aos recursos. O novo Plano Safra vincula as prerrogativas de renegociação futura de dívidas de custeio à obrigatoriedade de contratação prévia de apólices de seguro rural ou adesão ao Proagro. O mecanismo visa descentralizar o risco sistêmico, estimulando uma postura preventiva por parte dos tomadores de crédito perante as perdas climáticas severas observadas nas safras passadas.
No campo da modernização, o programa reformulou o InvestAgro, linha de crédito voltada à transição tecnológica de infraestruturas rurais. O fundo foi expandido para financiar plantas privadas de geração e distribuição de energia renovável, englobando fazendas fotovoltaicas, usinas de biomassa, cogeradores eólicos e sistemas de armazenamento de energia em baterias.
Da mesma forma, as linhas para construção e modernização de silos, armazéns e câmaras frias receberam prioridade orçamentária, visando atenuar o histórico déficit de armazenagem do país e dar maior poder de barganha comercial às cooperativas e agroindústrias do Centro-Sul.
