Seguindo a tendência observada no complexo de grãos, o mercado internacional do milho iniciou as operações desta segunda-feira operando com perdas acentuadas na Bolsa de Chicago (CME Group). De acordo com o informativo matinal divulgado pela Granoeste Corretora, o vencimento julho chegou ao intervalo do pregão registrando uma queda de 7 pontos, cotado a $ 4,05 por bushel. O foco absoluto dos investidores e fundos de investimento está direcionado para os dois relatórios estratégicos que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentará nesta terça-feira.
O levantamento de dados compilado pela Granoeste Corretora aponta que, para o Relatório de Área de Plantio, o mercado financeiro projeta uma área cultivada de 38,42 milhões de hectares (MH) nos Estados Unidos. O número representa um recuo frente aos 38,58 MH estimados pelo próprio órgão oficial em março deste ano. Quando comparada à área semeada na temporada passada, que atingiu 39,98 MH, a retração na área do cereal norte-americano deve se confirmar em quase 4%.
Por outro lado, a projeção para o Relatório Trimestral de Estoques retidos até primeiro de junho atua como o principal fator de pressão de baixa sobre as telas. Os operadores esperam um volume de 136,9 milhões de toneladas (MT) de milho estocadas nos EUA, contra as 117,9 MT apuradas no mesmo ponto de junho de 2025. Esse cenário desenha um expressivo aumento anual de 16% nas reservas físicas americanas, garantindo um ambiente de oferta confortável no Hemisfério Norte.
Mercado nacional, B3 e paridade no porto de Paranaguá
No mercado futuro brasileiro, as cotações do milho na B3 (antiga BMF) operam em ritmo de estabilidade, ensaiando uma leve resistência às perdas externas. O contrato com vencimento em julho trabalha cotado a R$ 64,30 (frente ao fechamento anterior de R$ 64,29), enquanto a posição para setembro sinaliza negócios a R$ 67,75 (contra o anterior de R$ 67,67). No ambiente físico das praças produtoras, no entanto, os preços internos seguem pressionados devido à maior aceleração nos trabalhos de colheita da segunda safra no Centro-Sul.
Analistas reforçam que, para cumprir a meta de exportação projetada de mais de 40,0 MT para a temporada atual, o mercado doméstico depende de que os preços nas regiões com maior densidade de oferta encontrem um ponto de equilíbrio e alcancem a paridade internacional de exportação.
No Oeste do Paraná, as indicações nominais de compra colhidas pela Granoeste situam-se na faixa entre R$ 55,00 e R$ 58,00 por saca. Já no Porto de Paranaguá, as ofertas para recebimento flutuam entre R$ 63,00 e R$ 66,00 por saca. A oscilação dos valores finais pagos depende diretamente dos prazos de pagamento acordados, da qualidade física do lote e da localização geográfica do armazém no interior. No front macroeconômico, o câmbio opera estável na abertura da semana, precificado a R$ 5,16, ante o encerramento anterior de R$ 5,167.
