O mercado físico do açúcar cristal branco registrou uma leve recuperação em suas cotações nominais no encerramento da última semana nas praças produtoras do estado de São Paulo. De acordo com o relatório de monitoramento de safra divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o movimento de alta no mercado à vista (spot) foi impulsionado pela ocorrência de chuvas nas principais regiões canavieiras do Centro-Sul, fator que interrompeu o ritmo das colhedoras no campo e, consequentemente, encolheu a disponibilidade imediata do adoçante nas usinas.
Apesar do reajuste positivo motivado pelo gargalo climático, o Cepea reporta que a liquidez global do setor sucroenergético permanece deprimida. Grandes indústrias compradoras e distribuidoras de alimentos mantêm uma postura firme de resistência à realização de novos negócios de grande volume. Esses agentes operam sob a estratégia de esticar os estoques de curto prazo, apostando em uma retração iminente das tabelas de preços à medida que o tempo seco retorne e o processamento de cana seja normalizado.
Pressão do etanol de milho e excedente de capacidade
Nas análises de médio e longo prazo do Centro de Pesquisas, o teto para reações robustas e duradouras nos preços do açúcar cristal encontra um forte limitador estrutural na percepção de que a oferta doméstica seguirá abundante. Os analistas destacam dois componentes macroeconômicos fundamentais que impedem ralis de alta mais agressivos no setor.
O primeiro deles é o avanço massivo e consolidado do etanol de milho na matriz de biocombustíveis do país. Com as indústrias esmagando o cereal de forma contínua no Centro-Oeste, o mix de produção das usinas de cana-de-açúcar fica liberado para focar prioritariamente na fabricação do cristal, maximizando a alta capacidade instalada de açúcar em todo o Centro-Sul brasileiro. Essa flexibilidade industrial garante que qualquer interrupção pontual por chuvas seja rapidamente compensada, mantendo o viés de abastecimento confortável no mercado interno.
