A cadeia produtiva da cachaça volta a ocupar posição central no agronegócio brasileiro entre os dias 6 e 8 de agosto, em Belo Horizonte (MG), durante a realização da 35ª Expocachaça. Consolidada como a principal vitrine global do setor, a feira estima reunir cerca de 250 expositores de 18 estados, mais de 2 mil marcas registradas e um público visitante projetado em 25 mil pessoas no espaço do evento.
A organização prevê uma movimentação econômica da ordem de R$ 30 milhões durante e após a realização da feira. O montante abrange negociações diretas de maquinários, insumos de embalagem, barris de envelhecimento, lançamentos de novos rótulos e contratos de distribuição comercial.
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Conforme ressalta o idealizador da feira, José Lúcio Mendes, a proposta do evento transcende a degustação comercial:
"A Expocachaça nasceu com o propósito de fortalecer toda a cadeia produtiva da cachaça de alambique. Hoje, ela reúne produtores rurais, fabricantes de equipamentos, fornecedores de insumos, distribuidores, compradores e especialistas em um ambiente voltado para negócios, conhecimento e geração de valor", destaca Mendes.
Minas Gerais lidera estrutura e parque produtivo nacional
A dimensão do evento reflete a liderança do estado de Minas Gerais no ecossistema da cachaça. Segundo dados do Anuário da Cachaça 2025, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Brasil contabiliza 1.266 estabelecimentos produtores registrados, dos quais 501 estão localizados em solo mineiro (39,6% do total nacional). O estado também lidera em diversidade comercial, somando 2.492 produtos registrados — o equivalente a 34,5% dos rótulos nacionais.
A atividade econômica engloba produtores rurais de cana-de-açúcar, agroindústrias familiares, cooperativas, fornecedores de alambiques de cobre, laboratórios de análise química, tanoarias para a fabricação de tonéis de madeira e redes logísticas de distribuição.
ANPAQ lança Selo Nacional da Cachaça de Alambique
Entre as principais novidades institucionais da edição, a Associação Nacional da Cachaça de Alambique (ANPAQ) realizará o lançamento oficial do Selo Nacional da Cachaça de Alambique. A certificação foi desenvolvida para atestar a autenticidade dos produtos destilados exclusivamente em alambiques de cobre, respeitando parâmetros técnicos e sanitários de fabricação.
O selo contará com código serial individual e sistema de verificação por QR Code, permitindo que distribuidores e consumidores acessem informações detalhadas sobre a origem geográfica do produto, o perfil do produtor rural e o processo de envelhecimento.
Pautas de mercado, sucessão e turismo rural
A agenda da 35ª Expocachaça inclui rodadas de negócios internacionais, palestras técnicas e exposição de serviços tecnológicos voltados à agricultura de cana-de-açúcar e processos de destilação. A programação abordará a sucessão familiar nas propriedades rurais, Indicações Geográficas (IGs), rastreabilidade sanitária, adequações à reforma tributária e a expansão de bebidas prontas para consumo (RTDs).
Outro vetor estratégico é a integração da cachaça de alambique com a rota do turismo rural e gastronômico, estratégia que tem ampliado a rentabilidade e a diversificação de receita nas propriedades do interior mineiro, paulista e de estados vizinhos como o Paraná. O evento ocorre de forma integrada à 19ª Brasilbier e à 4ª Minas + Doce, ampliando a sinergia entre o agronegócio e a agroindústria de bebidas e alimentos de origem.
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