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Indústria gaúcha de máquinas agrícolas avalia impactos da nova taxação dos EUA

Mesmo com menor volume exportado, os Estados Unidos são estratégicos para a indústria gaúcha de máquinas agrícolas

Indústria gaúcha de máquinas agrícolas avalia impactos da nova taxação dos EUA
Setor vê com preocupação impacto da nova taxação dos EUA nas exportações e no custo de insumos. Foto: Assesoria / Divulgação
Foto do autor Francieli Galo
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A indústria gaúcha de máquinas agrícolas acompanha com atenção os desdobramentos da nova taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Apesar de os EUA não liderarem as exportações do setor, a medida preocupa por atingir um dos mercados mais estratégicos para os fabricantes do Rio Grande do Sul. De janeiro a junho de 2024, as exportações somaram US$ 57,06 milhões.

Atualmente, os Estados Unidos ocupam o terceiro lugar entre os principais destinos das exportações gaúchas de máquinas, tratores e implementos agrícolas, atrás apenas da Argentina e do Paraguai. No entanto, no caso específico dos tratores, o país norte-americano sobe para a segunda colocação, o que demonstra a importância da relação bilateral para o segmento.

Insumos e competitividade em risco

Para a vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Carolina Rossato, os impactos da medida podem ir além da exportação. Isso porque a indústria depende fortemente de insumos eletrônicos importados dos EUA. Eles são essenciais para a fabricação de tratores, colheitadeiras e semeadoras. Assim, uma eventual retaliação do governo brasileiro, com base no princípio da reciprocidade, tende a elevar custos e comprometer a competitividade dos equipamentos.

“É muito preocupante. A indústria do Rio Grande do Sul utiliza insumos dos Estados Unidos tanto em seu processo industrial quanto na composição final dos equipamentos. Qualquer aumento nas tarifas de importação compromete a competitividade das nossas máquinas, que atendem setores fundamentais como grãos, pecuária, café e cana-de-açúcar”, ressalta Rossato.

Setor pede ação diplomática

Segundo o Simers, a taxação ameaça não apenas as exportações, mas também a geração de empregos, os investimentos e a inovação tecnológica no setor. Por isso, a entidade defende que o governo federal adote uma postura ativa nos canais diplomáticos e comerciais. O objetivo seria reverter ou ao menos minimizar os efeitos da nova medida.

“Nossa indústria tem capacidade e qualidade para competir de igual para igual no mercado internacional, mas é fundamental que haja um ambiente comercial justo. Taxações como essa desestimulam o crescimento, afetam cadeias produtivas inteiras e penalizam justamente os setores que mais geram valor para o país”, conclui a vice-presidente do Simers.

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