O mercado brasileiro de algodão em pluma abriu o mês de julho de 2026 com baixa liquidez e ritmo lento de negócios devido ao forte desalinhamento de preços entre compradores e vendedores. De acordo com analistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações perderam sustentação nos últimos dias e voltaram a ceder, mesmo diante da postura firme dos cotonicultores mais capitalizados, que retêm seus lotes de melhor qualidade.
A pressão sobre os preços ganhou força com a necessidade de abrir espaço físico nos armazéns para a nova safra. Com a paridade de exportação em enfraquecimento, parte dos vendedores começou a mostrar maior flexibilidade nas negociações do mercado spot (pronta entrega) para liquidar os estoques remanescentes da temporada passada. Ainda assim, as indústrias ativas no mercado seguem oferecendo valores abaixo do esperado pelo setor produtivo.
Pesquisadores do Cepea apontam que a indústria têxtil nacional tem se limitado a compras pontuais. Como as fábricas possuem matéria-prima contratada anteriormente e estoques internos suficientes para o curto prazo, a pressa para repor o algodão é mínima. A velocidade de reação do mercado agora depende diretamente do desempenho das vendas de fios e produtos manufaturados na ponta final da cadeia.
