O mercado brasileiro de algodão em pluma iniciou junho com ritmo lento de comercialização. Segundo levantamento do Cepea, a baixa liquidez reflete dificuldades entre compradores e vendedores para chegar a um consenso sobre preços e qualidade dos lotes ofertados, além do impacto do feriado de Corpus Christi, que reduziu a participação de agentes nas negociações.
A retração das cotações internacionais da pluma também contribuiu para desestimular novos negócios, tanto no mercado disponível quanto em contratos para entrega futura. Diante desse cenário, vendedores seguem priorizando o cumprimento dos contratos a termo já firmados, enquanto acompanham a evolução das lavouras nas principais regiões produtoras.
Do lado da demanda, a postura continua cautelosa. Conforme o Cepea, as indústrias têm realizado compras apenas de forma pontual, já que os estoques disponíveis e os volumes anteriormente contratados continuam suficientes para atender às necessidades de abastecimento no curto prazo.
Safra avança com boas condições no campo
Enquanto o mercado segue com baixa movimentação, os produtores monitoram o desenvolvimento da safra 2025/26. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), atualizados até 5 de junho, mostram que 78,3% das lavouras estão em fase de maturação, enquanto 20,6% permanecem em formação de maçãs. A colheita já começou e alcança 0,9% da área cultivada.
De modo geral, as condições das lavouras são consideradas favoráveis. Em Mato Grosso, principal produtor nacional de algodão, o desenvolvimento das plantações segue satisfatório. Já em Mato Grosso do Sul, produtores mantêm atenção à disponibilidade hídrica nas áreas cultivadas, fator considerado importante para a fase final do ciclo produtivo.
Mesmo diante da lentidão nas negociações, o setor continua acompanhando o avanço da safra, que deverá ganhar maior relevância para a formação dos preços e para a dinâmica do mercado nas próximas semanas.