Três grandes cooperativas do RS iniciam obras da Soli3 no RS

Complexo industrial Soli3 recebe licença ambiental e inicia terraplanagem com foco no processamento de soja e energia renovável.
Três grandes cooperativas do RS iniciam obras da Soli3 no RS
Com aporte bilionário, a planta da Soli3 projeta o processamento anual de até 2,6 milhões de toneladas de soja na segunda fase operacional. Foto: Divulgação
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O cooperativismo agropecuário do Rio Grande do Sul iniciou a execução de um dos maiores investimentos industriais de sua história recente. Em ato oficial realizado em Cruz Alta (RS), as diretorias da Cotrijal (Não-Me-Toque), Cotripal (Panambi) e Cotrisal (Sarandi) formalizaram o início das obras estruturais da Soli3, um moderno complexo de processamento de soja e produção de biodiesel. O empreendimento recebeu o aval definitivo do governo gaúcho por meio da emissão da Licença de Instalação, documento emitido pelos órgãos ambientais que autorizou a imediata entrada do maquinário de terraplanagem e a estruturação do canteiro técnico de obras.

A engenharia do projeto adota um cronograma integrado e simultâneo. À medida que as frentes de movimentação de solo liberam os primeiros lotes do terreno de 138 hectares, as empresas contratadas iniciam as obras civis de fundação e edificações de concreto e estruturas metálicas. Segundo o presidente da Cotripal e da Soli3, Germano Döwich, a obtenção da licença ambiental representa o passo definitivo para materializar uma planta desenhada para agregar valor de forma direta à produção de grãos dos milhares de associados das três cooperativas parceiras. O plano macroeconômico estima um aporte financeiro de aproximadamente R$ 1,25 bilhão, com projeção de faturamento anual de R$ 2,5 bilhões quando a planta estiver consolidada.



Capacidade produtiva, logística ferroviária e impacto regional

A arquitetura fabril prevê uma área construída de 75 mil metros quadrados e contará com um diferencial logístico estratégico: uma conexão direta à malha ferroviária federal, otimizando o escoamento de farelo, óleo e biocombustível. Os presidentes da Cotrijal, Nei César Manica, e da Cotrisal, Walter Vontobel, reforçam que o projeto é uma resposta direta à demanda global por descarbonização e transição energética. A viabilidade de engenharia já avançou no plano de compras, com a contratação antecipada de sistemas de esmagamento, caldeiras a vapor, pátios de biomassa e subestações elétricas, mitigando riscos de flutuação inflacionária e garantindo o início das operações de mercado para o ano de 2028.

As projeções técnicas da Soli3 foram divididas em duas etapas de maturação zootécnica e industrial:

Primeira fase: Processamento diário de 3 mil toneladas de soja (1 milhão de toneladas por ano), resultando em 600 toneladas diárias de biodiesel (200 mil toneladas anuais).

Segunda fase: Expansão da capacidade de moagem para 7,2 mil toneladas/dia (2,6 milhões de toneladas anuais), elevando a manufatura de biodiesel para 1.500 toneladas por dia (500 mil toneladas/ano).

Durante a fase de construção civil, o canteiro de obras abrirá cerca de 1.000 postos de trabalho temporários. Na fase definitiva de industrialização, a Soli3 manterá 150 empregos diretos fixos e gerará outras 500 vagas indiretas na cadeia de suprimentos e transportes. O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, e a prefeita de Cruz Alta, Paula Librelotto, destacaram que o projeto reposiciona a região central do estado na vanguarda da bioeconomia brasileira, convertendo a produção primária de grãos em energia renovável de alto valor agregado.

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