A transição energética mundial passa, obrigatoriamente, pela contribuição da agropecuária brasileira. A afirmação foi feita pelo presidente do Sistema Famasul e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Marcelo Bertoni, durante a abertura da 4ª edição do seminário Agroenergia – Transição Energética Sustentável, realizado em Brasília.
O evento, promovido pela CNA em parceria com a Embrapa Agroenergia, reuniu lideranças do setor público, privado e produtores rurais. O foco central dos debates deste ano foi o desenvolvimento do Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e do Biobunker (combustível marítimo sustentável).
Brasil na liderança da descarbonização de transportes pesados
De acordo com Bertoni, a aviação e a navegação estão entre os setores com os maiores desafios na agenda de descarbonização, e o Brasil desponta como a principal alternativa para fornecer soluções em larga escala.
“Nós temos biomassa, matéria-prima, tecnologia, pesquisa e produtores rurais preparados para fazer parte dessa transformação. Além de produzir alimentos e fibras, o agro brasileiro pode ser um dos grandes fornecedores de energia de carbono renovável para o mundo”, destacou o vice-presidente da CNA.
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Bertoni ponderou que as oportunidades nessa nova economia de baixo carbono só vão se transformar em investimentos se houver segurança jurídica, regras claras, certificação adequada e mercado, garantindo que o produtor rural esteja no centro do debate e participe dos resultados econômicos.
Agregação de valor e tecnologia nacional
O diretor de Negócios e Inovação da Embrapa, Alexandre Alonso, reforçou que o SAF e o Biobunker funcionam como instrumentos estratégicos para valorizar a biomassa brasileira e interiorizar o desenvolvimento econômico. Alonso apontou que o objetivo do país deve ser liderar a vanguarda tecnológica das cadeias globais de baixo carbono, e não apenas atuar como exportador de matéria-prima bruta.
Complementando a visão de mercado, o diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, sinalizou que o Brasil reúne todas as condições para consolidar sua liderança global em biocombustíveis devido à alta demanda interna e externa.
Para a Ubrabio, o fortalecimento de boas práticas de produção e a melhoria do ambiente de negócios serão determinantes para transformar a energia limpa em um patrimônio definitivo da economia nacional.
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