O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), divulgou seu relatório semanal detalhando as condições de tempo e cultivo entre os dias 7 e 13 de julho de 2026. O período foi marcado por forte instabilidade climática. O início da semana registrou frio intenso e geadas pontuais no Sul, Sudoeste, Oeste e Centro do estado. A partir de sexta-feira (10), o avanço de uma frente fria trouxe chuvas mais expressivas e generalizadas, afetando diretamente o ritmo dos trabalhos de campo e o desenvolvimento de importantes culturas, como o milho safrinha e o trigo.
Milho safrinha inicia colheita sob pressão climática e fitossanitária
A colheita da segunda safra de milho atingiu 16% da área estimada no Paraná, enquanto os 100% plantados dividem-se em fases de frutificação (24%) e maturação (76%). Do total das lavouras do estado, 80% apresentam boas condições, 13% médias e 7% ruins.
O avanço dos trabalhos revela um cenário de contrastes regionais. Em algumas localidades, o milho se desenvolve de forma satisfatória e a colheita avança dentro do rendimento esperado. Por outro lado, produtores enfrentam sérios gargalos operacionais devido ao excesso de umidade no solo e no grão, o que atrasa a maturação e a colheita, encarece os custos de secagem artificial nas unidades receptoras e gera filas nas cooperativas. O quadro foi agravado por intempéries recentes, como granizo e geadas, que provocaram lesões foliares, brotamento de grãos na espiga e elevaram a incidência de doenças como a Diplodia. Diante disso, as produtividades consolidadas começam a refletir as perdas acumuladas desde o período de seca no início do ciclo.
Atraso no plantio e receio com a safra de verão provocam desistência do trigo
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As lavouras de trigo paranaenses caminham para a reta final do plantio, cobrindo 99% da área projetada. Em relação à fenologia, 69% das plantas estão em desenvolvimento vegetativo, 21% em floração, 8% em frutificação e 2% em germinação. Do total semeado, 98% das áreas registram boas condições e 2% médias.
No entanto, as chuvas persistentes e a alta umidade em algumas regiões trouxeram desafios fitossanitários expressivos. A incidência de doenças foliares aumentou, enquanto o solo encharcado impede a entrada das máquinas para a aplicação de tratos preventivos, além de causar acamamento localizado em plantas jovens. O excesso de umidade e o atraso no cronograma de plantio geraram um temor latente entre os agricultores: o de que um alongamento excessivo no ciclo do trigo atole o planejamento da safra de verão 2026/27. Como medida de proteção, alguns produtores optaram por desistir do cultivo do cereal de inverno nesta temporada.
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