Mercado da pecuária de bovina de corte, nesta semana, mais curta, por conta do feriado de Tiradentes na terça-feira, contou com um cenário para exercício de pressão da indústria frigorífica sobre os valores da arroba do boi gordo. O fator ocorreu no Estado de São Paulo, sudoeste de Goiás e sul de Mato Grosso do Sul.
As quedas, em geral, em torno de R$ 1 a R$ 2 por arroba, ocorreu após a semana, compreendida entre 13 e 17 de abril, quando houve uma forte comercialização de boiadas em São Paulo e Mato Grosso do Sul, claramente, mostrando que na praça paulista o pecuarista ficava ali satisfeito com a precificação entre R$ 365 e R$ 370 por arroba e também focado na observação de estação de outono e a necessidade de reduzir a lotação animal por hectare.
Afinal, os preços alcançados na última semana são os mais elevados, mesmo fazendo deflação de valores.Também não é distante as observações em torno das atividades da indústria frigorífica exportadora para a China, na aceleração das exportações de carne bovina, fato que também ocorre do outro lado do negócio, as empresas importadoras chinesas também buscam acelerar e ambos, fugirem da sobretaxa, após atingir a marca de 1,1 milhão de toneladas.
Aliás, o Departamento de Alfândega da China, informou na última quarta-feira, que o Brasil atingiu 46% da cota destinada nos três primeiros meses do ano, são 506 mil toneladas embarcadas e o mercado futuro do boi na B3 tem precificado um cenário de “terror” com preços abaixo do que aqueles praticados atualmente.
Eu digo isto pensando nos fatores de risco e oportunidade para quem termina boi gordo. Vamos lá, há o risco (ou confirmação) da completude da cota para a China e nenhum aditivo sendo implementado. Pelo ritmo do primeiro trimestre, talvez, a cota bata no final de junho ou começo de julho.
Nas oportunidades há diversos elementos que podem ser destacados. Entre eles, os estados da região Sul começarem a exportar para o Japão. Também, é inegável, que as carnes de frango e suína estão extremamente competitivas e a carne bovina não teve queda de preços no mercado doméstico, mesmo assim, o consumidor interno segue muito ativo. O mês de maio já começa com feriado e final de semana prolongado e conta com o Dia das Mães no segundo domingo do mês. No dia 11 de junho começa a Copa do Mundo e posso apostar, não na seleção da CBF, mas no consumo de carne bovina mais expressivo durante todo o período. Para encerrar, cito também as eleições 2026, a circulação de dinheiro aumenta e o consumo também.
Seguramente, apesar do risco, há muitas oportunidades.