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Exportações de algodão do Brasil disparam 74,4% em maio

Correção nas bolsas internacionais pressiona cotações, enquanto demanda externa mantém exportações brasileiras em ritmo acelerado

Exportações de algodão do Brasil disparam 74,4% em maio
Brasil mantém forte ritmo de exportações de algodão mesmo após correção nas cotações internacionais da fibra.
Foto do autor Jair Reinaldo
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O mercado internacional do algodão enfrentou uma semana de correção nas bolsas norte-americanas, mas o Brasil segue ampliando sua presença no comércio global da fibra. Dados do Boletim de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) mostram que os embarques brasileiros continuam em ritmo forte neste início de maio.

Nas duas primeiras semanas do mês, as exportações brasileiras somaram 159,6 mil toneladas de algodão. A média diária de embarques ficou 74,4% acima do registrado no mesmo período do ano passado, reforçando a competitividade da fibra nacional no mercado internacional.

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No acumulado da safra 2025/26, entre agosto de 2025 e abril de 2026, o Brasil já exportou 2,34 milhões de toneladas, avanço de 9,2% sobre igual período da temporada anterior.

Bolsa de Nova York recua após fortes altas

Apesar do bom desempenho das exportações brasileiras, os contratos futuros do algodão em Nova York perderam força na última semana após a forte valorização registrada no fim de abril.

O contrato julho de 2026 encerrou a quinta-feira (21) cotado a 77,98 centavos de dólar por libra-peso, queda de 7,1% em relação à semana anterior. Já o contrato dezembro de 2026 fechou em 79,73 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 5,6%.

Entre os fatores que pressionaram o mercado estão a realização de lucros pelos investidores, previsões de chuva para regiões produtoras dos Estados Unidos e a queda do petróleo no mercado internacional.

A desvalorização do petróleo reduz a competitividade relativa do algodão frente às fibras sintéticas, como o poliéster, que se torna mais barato em cenários de energia menos pressionada.

Clima nos EUA segue no radar

Mesmo com previsões de chuva, o clima nos Estados Unidos ainda preocupa o mercado global. Segundo a Abrapa, cerca de 97% das áreas produtoras de algodão no cinturão americano seguem enfrentando algum nível de seca.

O cenário mantém dúvidas sobre o potencial produtivo da safra norte-americana, fator que pode limitar quedas mais acentuadas nas cotações internacionais.

Além disso, compradores físicos aproveitaram o recuo recente dos preços para voltar ao mercado, ajudando a sustentar parte da demanda.

China amplia importações

Outro fator de suporte ao mercado é o aumento das importações chinesas de algodão. Em abril, a China comprou cerca de 170 mil toneladas da fibra, volume muito superior às aproximadamente 60 mil toneladas registradas no mesmo mês do ano passado.

No acumulado entre agosto e abril, as importações chinesas somam 1,27 milhão de toneladas, acima das 1,01 milhão do mesmo período da safra anterior.

As importações chinesas de fios de algodão também cresceram, indicando manutenção da atividade têxtil na Ásia, apesar do ambiente ainda cauteloso para consumo global.

Abrapa reforça agenda internacional

Em paralelo ao cenário de mercado, a Abrapa realizou nesta semana uma agenda estratégica na Austrália, um dos principais produtores mundiais de algodão de alta qualidade.

A missão busca ampliar a troca de informações sobre qualidade, logística, comercialização e boas práticas na produção da fibra, além de fortalecer a cooperação entre produtores globais de fibras naturais diante da concorrência crescente das fibras sintéticas.

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Editor RuralNews
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