O predomínio de tempo seco e a estabilidade climática no Brasil Central estão ditando o ritmo das lavouras de inverno nesta temporada. O monitoramento de campo realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que o trigo irrigado evolui com excelente potencial produtivo em Goiás, concentrando a maior parte das áreas na fase de florescimento. Paralelamente, em Minas Gerais, a falta de chuva abriu uma janela ideal para o avanço da colheita do feijão de segunda safra, que já atinge a marca de 90% da área colhida.
Para mensurar esse ritmo de desenvolvimento com maior precisão, técnicos vêm utilizando a metodologia fenológica de soma térmica (graus-dia). Diferente do calendário civil tradicional, essa técnica calcula a quantidade de energia calórica real acumulada pelas plantas ao longo dos dias. O modelo gera estimativas muito mais fiéis sobre o comportamento fisiológico dos cultivos sob diferentes condições de temperatura.
Simulações climáticas no trigo de Cristalina (GO)
Como exemplo prático desse monitoramento, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) rodou simulações no Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (Sisdagro). O estudo comparou o comportamento do trigo irrigado de ciclo médio plantado em Cristalina (GO), com semeadura realizada em 15 de abril, confrontando os ciclos de 2025 e 2026.
Os dados mostram que o trigo vegetou em ritmo muito parecido nos dois períodos, mas com uma leve aceleração térmica no ciclo atual. Aos 60 dias após o plantio, as lavouras de 2026 registravam o acúmulo de 1.003 °C.dia, contra 973 °C.dia da temporada anterior.
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Em 2025, a cultura precisou de 95 dias para atingir a meta de maturação (1.450 °C.dia), alcançando o índice em 25 de julho. Já em 2026, o forte calor fez com que o trigo somasse 1.367,1 °C.dia, restando apenas cerca de 83 °C.dia para completar o ciclo, o que confirma a previsão de colheita antecipada em relação ao ano passado.
Ciclo do feijão encurta em Unaí (MG)
No caso do feijoeiro irrigado cultivado em Unaí (MG), semeado em 20 de abril, o efeito do calor foi ainda mais evidente. As plantas mantiveram um ritmo de acúmulo térmico superior durante quase toda a trajetória de desenvolvimento em 2026.
Como resultado dessa maior carga de energia, o feijão bateu a meta de referência para a maturação (1.100 °C.dia) logo aos 76 dias de ciclo, registrando 1.102,6 °C.dia no início do mês. Na safra de 2025, esse mesmo patamar de maturação só foi atingido aos 84 dias de desenvolvimento.
A análise comprova que o ciclo do feijoeiro irrigado encurtou em cerca de oito dias na comparação direta com a temporada passada. Esse comportamento simulado nos computadores bate com a realidade das fazendas mineiras. O tempo firme permitiu que os produtores fizessem a dessecação e a secagem natural dos grãos diretamente no campo, limpando o terreno de forma rápida e otimizando o planejamento logístico das propriedades.
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