Plano Safra mantém juros altos e gera dúvidas, avalia Federarroz

Entidade alerta para redução de R$ 29,8 bilhões em linhas de custeio e cobra socorro ao endividamento.
Plano Safra mantém juros altos e gera dúvidas, avalia Federarroz
Produtores de arroz do RS alertam que encargos de 12,5% ao ano podem travar novos investimentos nas lavouras.
Foto do autor Fernando Teixeira
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O anúncio oficial do Plano Safra 2026/2027 gerou ressalvas técnicas e institucionais no setor de grãos do extremo Sul do país. De acordo com a avaliação da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), as condições financeiras divulgadas pelo governo federal ficaram aquém do necessário para garantir a estabilidade econômica das lavouras. Embora o montante global para a agricultura empresarial tenha registrado um incremento de R$ 9 bilhões — subindo de R$ 516,2 bilhões para R$ 525,1 bilhões —, o desenho das linhas trouxe cortes estruturais severos.

O principal ponto de preocupação reside na divisão interna dos recursos orçamentários. O programa destinará R$ 384,9 bilhões para custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões abastecerão os investimentos. Na prática, isso representa um recuo de R$ 29,8 bilhões nas verbas de custeio (capital de giro diário para a compra de sementes, defensivos e fertilizantes) na comparação com o ciclo anterior, enquanto as linhas de modernização e maquinário absorveram a diferença.



O entrave dos juros altos e do endividamento

A diretoria da Federarroz ressalta que o custo do dinheiro nas agências bancárias continuará exercendo forte pressão sobre as margens operacionais dos produtores. O setor produtivo gaúcho pleiteava taxas de juros fixadas abaixo de um dígito para dar fôlego ao caixa das fazendas. Contudo, a taxa geral para o agronegócio de médio e grande porte foi estabelecida em 12,5% ao ano, patamar considerado elevado diante dos riscos climáticos e operacionais da cultura.

Além disso, a entidade alerta para o risco de um apagão de crédito por motivos de adimplência. A Federarroz pondera que uma parcela expressiva dos arrozeiros depende diretamente da aprovação de medidas de socorro e da tramitação do Projeto de Lei nº 5.122, que trata da renegociação de passivos agrícolas. Sem regras claras para o alongamento das dívidas acumuladas em safras passadas, muitos produtores enfrentarão restrições cadastrais nos bancos e não conseguirão acessar as novas linhas de financiamento para o plantio que se aproxima.

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