O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), lançou nesta semana o Projeto Cacau Brasil Agrofloresta, iniciativa voltada à ampliação da produção sustentável de cacau nos estados da Bahia e do Pará, principais polos produtores do país.
Com apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e financiamento do Fundo Verde para o Clima (GCF), o projeto prevê investimentos de US$ 30,9 milhões para implantação de sistemas agroflorestais nos biomas Amazônia e Mata Atlântica.
Segundo o Mapa, o objetivo é promover ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas por meio de modelos produtivos que integrem conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento territorial.
Durante o lançamento em Belém (PA), o secretário-executivo adjunto do Mapa, João Rodrigues, destacou a importância estratégica da cadeia do cacau para o agronegócio brasileiro e para o desenvolvimento sustentável.
“O principal objetivo do Mapa é entregar à sociedade desenvolvimento plural, sustentável e geração de renda para o povo brasileiro. Precisamos produzir mais e mostrar ao mundo que o nosso cacau é de qualidade”, afirmou.
O secretário também ressaltou a necessidade de fortalecer a segurança fitossanitária e a capacitação técnica dos produtores para garantir produtividade e qualidade das lavouras.
Produção sustentável e metas climáticas
O projeto está alinhado aos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil, incluindo as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), além dos programas ABC+ e Inova Cacau.
Como parte dessa estratégia, o Mapa publicou a Portaria nº 909, que institui o Plano Inova Cacau 2030, estabelecendo mecanismos de governança, monitoramento e coordenação das ações até o fim da década.
Ao todo, o projeto contará com US$ 23,1 milhões provenientes do Fundo Verde para o Clima e outros US$ 7,8 milhões em cofinanciamento. As ações terão duração prevista de 48 meses.
Entre os principais resultados esperados estão a implantação de 12,5 mil hectares de sistemas agroflorestais, redução estimada de 5,18 milhões de toneladas de CO₂ equivalente e atendimento direto de aproximadamente 69 mil beneficiários.
Bahia e Pará concentram produção nacional
Durante o lançamento, o secretário de Desenvolvimento Rural do Mapa, Marcelo Fiadeiro, destacou a relevância histórica e social da cacauicultura para milhares de famílias brasileiras.
“Pará e Bahia representam muito dentro desse contexto. Existe uma construção histórica feita por famílias e produtores que ajudaram a consolidar uma produção gigantesca no país”, afirmou.
O diretor da Ceplac, Thiago Guedes, destacou que atualmente o Brasil possui cerca de 620 mil hectares cultivados com cacau, distribuídos em seis grandes estados produtores e com expansão para outras unidades federativas.
Segundo ele, o modelo agroflorestal ganha relevância diante dos desafios ligados à segurança alimentar e às mudanças climáticas.
“O projeto nasce justamente para responder aos desafios relacionados ao crescimento populacional e à necessidade de produzir alimentos com sustentabilidade”, explicou.
Modelo agroflorestal ganha espaço
O sistema agroflorestal é apontado como estratégico por integrar produção agrícola, conservação ambiental, captura de carbono e geração de renda.
Além de ampliar a sustentabilidade da cadeia produtiva, o modelo busca fortalecer a agricultura familiar, incentivar boas práticas agrícolas e aumentar a competitividade do cacau brasileiro no mercado internacional.
A cerimônia de lançamento reuniu representantes de instituições de pesquisa, universidades, cooperativas, organizações locais, produtores rurais e lideranças ligadas à cadeia produtiva do cacau.
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