Segundo informações divulgadas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Comissão Nacional de Silvicultura discutiu, na quinta-feira (11), uma série de temas considerados estratégicos para o desenvolvimento do setor florestal brasileiro. Entre os assuntos abordados estiveram as atualizações sobre a lista de espécies exóticas invasoras, as perspectivas para o mercado da borracha natural e as ações de prevenção e combate a incêndios florestais.
Um dos principais pontos da reunião foi o debate sobre a lista de espécies exóticas invasoras elaborada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.
A assessora técnica da CNA, Jaine Cubas, apresentou um panorama das ações desenvolvidas pela entidade em relação ao tema. Segundo ela, a Confederação vem atuando para reduzir possíveis impactos das listas sobre o setor produtivo.
“A CNA defende o setor produtivo e, para isso, vamos reunir dados técnicos robustos sobre essas espécies para apresentar nos grupos de trabalho do Conabio e especialistas de instituições de pesquisa para discutir e defender as espécies frutíferas e florestais que têm impacto em várias cadeias produtivas e que estão no dia a dia da população brasileira”, afirmou.
Além da articulação institucional, a CNA elaborou um posicionamento sobre a inclusão de espécies consideradas relevantes sob os aspectos social e econômico na lista de invasoras.
Ainda sobre o tema, a chefe-adjunta da Assessoria de Relações Institucionais da CNA, Carolina Rebelo, apresentou informações sobre o Projeto de Lei 5.900/2025, de autoria do deputado federal Pedro Lupion. A proposta acrescenta dispositivos à Lei nº 14.600/2023 para atribuir ao Ministério da Agricultura a responsabilidade pela análise econômica de espécies de interesse produtivo.
Segundo Carolina, o projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados com parecer favorável do relator, deputado Pezenti, e segue agora para análise no Senado Federal. A expectativa é que a matéria seja incluída na pauta antes do recesso parlamentar previsto para começar em 18 de julho.
O presidente da Comissão Nacional de Silvicultura, Antônio Ginack, destacou a importância do debate para a atividade florestal brasileira.
“Acompanhamos os avanços na discussão sobre a lista de espécies exóticas invasoras, um assunto que afeta diretamente a silvicultura nacional pelos possíveis impactos sobre os cultivos de pinus e eucalipto”, afirmou.
Segundo ele, o tema deve ser tratado com transparência e ampla participação do setor produtivo, garantindo que as decisões sejam fundamentadas em critérios técnicos e científicos.
Mercado da borracha natural segue no radar
Outro destaque da reunião foi a análise do mercado da borracha natural. O especialista da Datagro, Daniel Franciscon, apresentou um panorama dos cenários nacional e internacional para o produto.
Segundo ele, as projeções apontam para um descompasso entre oferta e demanda pelo quarto ano consecutivo. O especialista observou ainda que fatores como a incerteza fiscal e o ciclo eleitoral, que podem pressionar o câmbio no segundo semestre, também influenciam o comportamento dos preços da borracha natural.
De acordo com Franciscon, o crescimento da frota de veículos eletrificados e a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño reforçam as perspectivas de consumo do produto. Por outro lado, a intensificação de conflitos armados e das disputas comerciais globais pode reduzir o ritmo de crescimento da demanda mundial.
Prevenção a incêndios florestais
A reunião também abordou estratégias voltadas à prevenção e ao combate aos incêndios florestais. O tema foi apresentado por Dito Mário, da Reflore MS.
Durante a apresentação, ele destacou o potencial de expansão das florestas plantadas em Mato Grosso do Sul e o cultivo de espécies como eucalipto, pinus e seringueira, além da integração com outras atividades agropecuárias.
Segundo Dito Mário, a entidade desenvolve iniciativas voltadas à conscientização e prevenção de incêndios, entre elas a campanha “Fogo Zero”, que busca envolver jovens e crianças na promoção de práticas de preservação e segurança no meio rural.
As discussões reforçaram a importância de políticas públicas, inovação tecnológica e ações coordenadas entre setor produtivo e instituições para garantir o crescimento sustentável da silvicultura brasileira nos próximos anos.