Após um longo período operando no limite ou com margens negativas, os produtores de leite do Rio Grande do Sul voltaram a registrar rentabilidade positiva na atividade. Apesar do cenário mais favorável no campo, lideranças do setor ressaltam que os preços atuais ainda estão aquém do patamar ideal para garantir novos investimentos e a sustentabilidade das propriedades no longo prazo.
O alívio financeiro se reflete nos números do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado (Conseleite/RS), que projetou um valor de referência de R$ 2,4281 por litro. O parâmetro orienta as negociações com a indústria, variando no campo de acordo com o volume e o padrão de qualidade do produto entregue.
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Na visão do presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, os valores praticados abrem espaço para uma recuperação gradual das perdas acumuladas nos últimos anos, embora o fôlego ainda seja contido.
"A grande maioria dos produtores está recebendo entre R$ 2,50 e R$ 2,70, enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 2,20 a R$ 2,30 por litro. Agora estamos operando com uma pequena margem, após um longo período no prejuízo. Para dar segurança de longo prazo sem desestimular o consumo, um preço ideal estaria próximo de R$ 2,80", aponta Tang.
Inclusão do varejo é chave para reduzir impactos de crises
Além da recomposição de preços, lideranças da pecuária de leite defendem a expansão do diálogo institucional para fortalecer a cadeia no estado. Embora as negociações entre produtores e laticínios no Conseleite tenham avançado na definição dos preços de referência, a avaliação é de que o debate precisa incluir também as redes de supermercados e o grande varejo.
Para a representação dos produtores, a divisão equilibrada das margens entre todos os elos da cadeia é indispensável para proteger o setor produtivo nos ciclos de baixa do mercado de derivados lácteos.
"No Conseleite, indústria e produtor já conseguem sentar juntos e debater. No entanto, sentimos falta da participação direta do varejo nessas discussões para amenizar o impacto das crises. Todos os elos precisam trabalhar juntos e dividir responsabilidades para manter a atividade forte e estável", conclui o dirigente.
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